A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 23/12/2020
Em razão do desenvolvimento forte e recente das tecnologias de comunicação e informação, o mundo atual vive uma forte integração, a chamada Globalização. Esse processo de encurtamento de distâncias é evidente em se tratando das tendências do mercado, como a uberização, que consiste em facilitar as relações entre empresas e consumidores, por meio de aplicativos. Sem dúvidas, esse quadro apresenta pontos positivos e negativos, que devem ser discutidos, de maneira a solucionar os entraves.
Em primeira análise, ressaltam-se os aspectos positivos da uberização para a sociedade. No âmbito do consumidor, graças à instantaneidade da Internet, há grande economia de tempo e dinheiro para deslocamentos no uso desses serviços, além da grande variedade, em decorrência da forte concorrência que a Internet permitiu aos fornecedores. Nessa lógica, diminuem os custos de produção pelo menor número de locais físicos das empresas, que, ademais, aproveitam uma divulgação maior de seus produtos e serviços no meio digital. Além disso, os trabalhadores, por conta da flexibilidade de horários, têm maior liberdade e podem mais facilmente conseguir uma renda extra. Por fim, essas formas de trabalho são, muitas vezes, a única fonte de renda, como ocorre na pandemia do Coronavírus. Portanto, a uberização pode ser positiva para o mercado como um todo.
Por outro lado, essa transformação nas relações de trabalho traz uma precarização aos funcionários. Durante a história, diversos movimentos sociais refletiam uma ausência de direitos essenciais às classes, como o Cartismo na Inglaterra ou, recentemente, os caminhoneiros, que fizeram uma greve no país. Atualmente, infelizmente, há uma crescente tendência de retrocesso aos direitos trabalhistas, pois não há formalização em questão de uberização. Nesse sentido, apesar dos benefícios citados, trabalhadores não tem estabilidade, segurança, entre outras coisas.
Destarte, a uberização do trabalho na era tecnológica demanda intervenções na questão das condições de trabalho. Por isso, urge que o Poder Legislativo, aliado ao Ministério do Trabalho, por meio de leis que exijam a formalidade nessas formas de serviço, garantam direitos aos trabalhadores. Isso terá como fim aproveitar os benefícios das novas tecnologias e preservar o bem estar dos trabalhadores.