A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 02/01/2021
Nos últimos anos, aplicativos como o Ifood e Uber têm recorrido a empregar motoristas de tal maneira que esses funcionários são pagos ou pelo app, seguindo um valor mínimo padrão, ou diretamente pelo cliente final. Essa modalidade inédita de trabalho, aliás, é chamada de “uberização”, em que se busca reduzir a distância entre oferta e demanda. Há, entretanto, uma falsa noção de liberdade nesse advento, uma vez que cada motorista não possui ciência do quanto, de fato, produz, recebendo o mínimo possível de remuneração. Logo, a “uberização” do trabalho o precariza, seja por ela existir mediante ao desemprego, seja pela exploração da força de trabalho alienante do trabalhador por essa nova face do capitalismo.
A princípio, deve-se mencionar que o alto contingente de desempregados no Brasil está altamente relacionado com o aumento de agentes “uberizados”, já que não possuem acesso a outras oportunidades de emprego, mesmo tendo, por exemplo, cursado o ensino superior. No ano de 2020, inclusive, a taxa de desemprego contou com mais de 30 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, impulsionando-os a atuarem nesse setor de entrega, visto que é bem menos burocratizado. Dessa maneira, eis uma dúvida: a “uberização” representa liberdade? A resposta é não, pois os operários deste setor são, de certa forma, coagidos a ingressarem nele.
Além do mais, a corrente filosófica e político-econômica do “marxismo” já definia, desde o século XIX, que o sistema capitalista consiste na exploração da força de trabalho da classe trabalhadora pela classe dominante, que possui os meios de produção pelos quais se explora os operários. Nesse sistema, de acordo com o sociólogo Karl Marx, o operário não está ciente do quanto ele produz ou do lucro gerado por ele e todos os outros, sendo destinado a ele o mínimo possível do capital. Nessa perspectiva, a “uberização” é apenas uma versão do capitalismo, uma vez que, como os operários de fábrica, os motoristas trabalham de forma alienada, produzindo sem ciência do total gerado por eles, sendo manipulados pela falsa ideia de empreendedorismo e pagos minimamente. Isso não é liberdade. Espera-se, portanto, que uma ação, dividida em duas partes, seja adotada: primeiro, o Governo Federal deve promover investimentos nas diversas alas de atuação profissional, para, destarte, combater o desemprego e não coagir os desempregados a ingressarem apenas no setor em discussão; segundo, o MEC deve disponibilizar cursos aos trabalhadores “uberizados”, objetivando educá-los a respeito da exploração que essa nova modalidade de trabalho fomenta, por meio do marxismo. Essa ação deverá ser feita mediante um projeto de lei, a “Lei de combate aos abusos trabalhistas”. Assim, evidencia-se que a “uberização” causa precarização e como combatê-la.