A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 06/01/2021

No livro “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, a sociedade é descrita como perfeita, a qual é padronizada pela falta de defeitos e desavenças. Contudo, o que se observa na realidade vai em oposição às prerrogativas do autor, visto que a ausência de debate e a escassez de conhecimento social são aspectos que causam a precarização do trabalho advindas da “Uberização” e, por consequência, violam os planos de More. À vista disso, é crucial a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Convém ressaltar, a princípio, que a carência de debate mostra-se como um dos obstáculos para a resolução do problema. Nessa lógica, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Dessa forma, para que a fragilização do trabalho decorrente do uso da tecnologia para desenvolver serviços seja resolvida, faz-se necessário discutir sobre ela. Todavia, nota-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é bastante silenciada em meios como a escola, a mídia e a própria casa do indivíduo, lugares onde o diálogo é escasso e, quando ocorre, regularmente dá-se por meio de linguagem autoritária. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo aumentaria a chance de atuação nele.

Outrossim, constata-se que a falta de conhecimento social é uma das razões pelas quais a complicação persiste. Segundo o filósofo Immanuel Kant, “pensamentos sem conteúdo são vazios e intuições sem conceitos são cegas”. De fato, embora esse pensamento não tenha sido escrito sob viés social, observa-se que a ideia liga-se à questão do trabalho precário proveniente da “Uberização”, já que o Estado, muitas vezes, não propicia atos conscientizadores com o objetivo de educar o corpo social para resolver o contratempo e, por esse motivo, essa parcela da população continua a sofrer com uma rotina de trabalho incerta e frágil. Destarte, é inaceitável que essa conjuntura continue a perdurar.

Portanto, ações devem ser tomadas para reverter o impasse. Desse modo, faz-se indispensável que o Ministério da Economia, em parceria com a Prefeitura, elabore oficinas educativas, em locais públicos de grande movimento, para a população em geral, por meio de palestras de sociólogos, que orientem os malefícios da “Uberização” e os desafios sofridos pelos empregados dessa importante ferramenta na atualidade. Ademais, nesses momentos, é preciso trazer para discussão a urgência de investir nos trabalhadores que dependem dessa renda para a sobrevivência, para que haja o esclarecimento e, por consequência, o devido tratamento a esse grupo. Dessa maneira, os problemas da temática serão superados e o corpo social atingirá a utopia de More.