A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 13/01/2021
Segundo Sartre, filósofo francês, o ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher seu modo de agir. Logo, com o avanço do sistema capitalista, recai sobre o homem o compromisso de tornar o mundo mais sustentável. No século XXI, a preocupação com a uberização, ou seja, precarização do trabalho, reflete essa realidade. Quanto as causas, pode-se apontar pelo menos dois fatores que contribuem para esse quadro social: o déficit econômico e a insuficiência legislativa.
De início, sabe-se que a internet bem como suas ferramentas mudaram drásticamente o modo de vida universalmente. A cada dia surgem novas e mais eficientes formas de se realizar uma mesma atividade. Hoje, por exemplo, vive-se um momento em que realizar uma compra dispensa contatos físicos: são os chamados e-commerce, que proporcionam conforto, velocidade e o principal: redução de custos. Porém, junto com as vantagens surgem também problemas e desafios, como condições de trabalho insalubres para os colaboradores e como soluciona-las. Um dos maiores exemplos são os entregadores de aplicativo, que, pela ausência de regulamentação, desempenham sem condições adequadas o seu ofício. Mostra-se necessário, então, o reconhecimento da classe por parte do Estado.
Ademais, faz-se relevante salientar o déficit econômico, ou seja baixos índices de empregos disponíveis no Brasil, como impulsionador do problema, uma vez que precárias as condições de vida estimulam a busca por subempregos e/ou em condições desumanas de trabalho. Essa afirmação ganha validade a partir de uma pesquisa realizada pela Datafolha, em Agosto de 2020, que diz que 78% dos entregadores de aplicativo desejariam outro emprego, porém, pelo receio de ficar desempregado, preferem condições indevidas do que “morrer de fome”.
Dessa forma, sendo a insuficiência legislativa e o déficit econômico grandes reponsáveis pela eclosão desse quadro, medidas para o contorno dessa problemática são, por exemplo: a regulamentação dos entregadores de aplicativo, e, para a questão econômica, a criação de programas assistencialistas para famílias emergentes. Tais objetivos podem ser alcançados por meio de parceria entre o Poder Legislativo e o Estado, que juntos devem debater planos e medidas para a resolução dos problemas aqui apresentados. Nesse sentido, o intuito de tais ações é promover o avanço da uberização sem comprometer a qualidade de vida de seus colaboradores.