A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 31/01/2021
A tecnologia mudou as nossas vidas em diversos aspectos. Mudou as nossas relações pessoais, mudou a maneira na qual pedimos comida, nos transportamos e nos comunicamos, mudando também as relações de trabalho. A chamada “uberização” do trabalho diz respeito aos trabalhadores que oferecem os seus serviços a empresas nacionais ou internacionais, criadoras e responsáveis pelas plataformas. Ao mesmo tempo que essa relação garante a comida na mesa e as contas pagas de milhares de trabalhadores no país, mostra também o quão frágil as relações de trabalho podem ser estabelecidas.
O Brasil bate recordes de taxas de desemprego. Trabalhar de carteira assinada, com todos os direitos assegurados está cada vez mais difícil. No começo, era muito comum que os trabalhadores desempregados partissem para o empreendedorismo, investindo seus dinheiros num negócio próprio. Mas, existem problemas como a demora do retorno financeiro e a necessidade de investimento inicial. Dentro dessa relação, nasce então a oportunidade de trabalhar fazendo o seu próprio horário, sem a necessidade de investir e ganhando na mesma proporção na qual trabalhavam. Mas o que isso nos revela?
Porcentagens muito pequenas em relação ao trabalho feito, falta de segurança própria e dos seus bens (já que o carro, moto ou bicicleta é do próprio trabalhador) e falta de seguro contra acidentes são só alguns dos problemas que esse tipo de trabalho traz. Percebendo isso, trabalhadores se juntaram para protestar em todo o Brasil, trazendo os olhares dos usuários desses serviços para as suas reinvidicações.
As plataformas precisam começar a se responsabilizar por quem presta serviços, afinal de contas, sem esses homens e mulheres é impossível que o serviço seja concretizado. Apenas monetizar sem oferecer o mínimo de conforto e direitos é descartar a importância e vida desses trabalhadores. Exigir no momento do cadastro que esses trabalhadores estejam contribuindo para o Micro Empreendedor Individual (MEI) seria uma forma de mantê-los seguros.