A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 23/02/2021
Na canção “Música de trabalho” da banda Legião Urbana, é dada voz a um trabalhador com uma vida miserável, que ainda com um ofício desgastante, declara ter sorte, pois tem, ao menos, um emprego. No Brasil, a “uberização” do trabalho replica o cenário observado. A automatização das indústrias e as relações incertas entre empregador e empregado condenam a população à opções de trabalho indignas.
De acordo com o sociólogo polonês Zgymunt Bauman, as relações de trabalho na modernidade líquida são instáveis e efêmeras, não havendo real segurança nas fontes de renda individuais. Assim, fruto das demissões geradas por uma economia frágil e globalizada, massas de desempregados são submetidos a jornadas diárias excruciantes, má remuneração e diminuição de direitos trabalhistas na pulverização da antes bem determinada relação entre funcionário e chefe.
Ademais, a Revolução Tecno-científica ocorrida em meados do século XX promoveu aprimoramento das técnicas de produção com destaque para o desenvolvimento da eletrônica. Contudo, a mão de obra humana passou por uma brusca subtituição por máquinas mais velozes e capazes que logram das antigas áreas de atuação dos ex-contratados. Aumentando, desse modo, os índices de desemprego da população a níveis inimagináveis.
Diante do exposto, fica nítida a necessidade de atuação do Poder Legislativo na criação de leis que fiscalizem e exijam das empresas privadas a garantia do cumprimento dos direitos e bem-estar de seus trabalhadores, objetivando alcançar o estado ideal de liberdade e qualidade de vida do proletariado previsto pela constiuição. Dessa maneira, poder-se-á o empregado da música do grupo Legião Urbana ter para si um ofício e se declarar, com propriedade, sortudo.