A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 20/02/2021
No folclore brasileiro, o Curupira é uma entidade que mora e protege as matas, cuja principal característica são os pés virados para trás. Com isso, os passos da criatura folclórica deixam pegadas contrárias ao caminho percorrido. Fora da ficção, atualmente, percebe-se a precarização do trabalho da “uberização” na era tecnológica, não só pela exploração da mão de obra trabalhadora, mas também pela falta de oportunidades no âmbito profissional. Logo, o Brasil tem sido o verdadeiro Curupira, com a idéia de avanço tecnológico que deixam, na verdade, passos retrógados.
Em primeira instância, nota-se a exploração da empresa Uber com seus funcionários. A precarização vem se aumentando com o trabalho temporário por não ser necessário o registro trabalhista dos contratados. Além disso, vê-se o baixo retorno financeiro dos trabalhadores. Segundo o site oficial da Uber, a porcentagem cobrada é de até 40% do valor total recebido pelo motorista. Nesse sentido, é evidente que os úberes, além de não terem direitos trabalhistas, recebem cerca de 60% do valor total mas arcam com todas as despesas decorrente do uso contínuo do carro.
Ademais, muitos indivíduos utilizam esse meio de trabalho por não terem uma oportunidade profissional. Desse modo, a obtenção de dinheiro se torna menos burocrática e mais “fácil”, fazendo com que muitas pessoas optem esse véu de emprego, mesmo sabendo dos fatores negativos. Assim, é inadimíssivel tal exploração da Uber, levando em conta que muitos funcionários não têm outro meio de renda.
Compreende-se, portanto, que a “uberização” na era tecnológica não é benéfica para os motoristas, o que se faz necessária uma mudança nesse aspecto. Para isso, urge que os governantes exijam direitos trabalhistas, por meio da implementação das leis, para os trabalhos temporários. Além disso, a empresa Uber deve dividir as despezas gerais com seus motoristas, a partir da declaração de renda que os mesmo apresentarão mensalmente, a fim de que os úberes tenham seus direitos básicos como trabalhadores e que o avanço tecnológico seja benéfico para todos.