A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 19/02/2021
A “uberização” do trabalho é apenas um nome caricato para os efeitos da quarta revolução industrial, que, da mesma forma que as anteriores, resignificou a maneira de como as relações de trabalho ocorrem. Como toda revolução, é natural que esta trate um problema ou atenda um anseio da sociedade, que, desta vez, é a velocidade e otimização de custos. É inevitável que se faça uma reflexão sobre os impactos para o trabalho, porém, a resposta é simples: Adaptação.
De acordo com o Frederic Maslow em “A Teoria das Necessidades”, há uma pirâmide hierárquica na vida de todo ser humano, que, conforme os niveis mais baixos são atendidos, como alimentação por exemplo, novos desejos tomar lugar e é instintivo que se busque suprí-los. Trazendo para a realidade posta, o mesmo ocorreu, naturalmente, nas três últimas revoluções onde demandava-se muito recurso para resultados limitados. Na Agricultura, por exemplo, com uso de máquinas agricolas para colheita, pessoas foram substituidas, como efeito colateral, mas como resultado houve significativa redução de custos dos alimentos ao consumidor final, bem como criaram-se novas necessidades, como manutenção do maquinário, venda de peças, transporte, especialização técnicas e muitas outras, que, por óbvio, geraram novos tipos de empregos.
Contudo, apesar de soar “cruel” pessoas serem substituidas por máquinas, o mundo sempre se adaptou a tais mundanças e isso irá ocorrer novamente sempre que um problema ou anseio coletivo surgir. Aproveitando o mesmo exemplo do parágrafo anterior, Para Carlos Ghosn, ex-CEO da Montadora Renault, a adaptação e a reinvenção fazem parte do instintivo humano, e caso alguns indivíduos não se adapatem, não irão sobreviver. Por isso, analisar com ótica pessimista é errôneo, visto que quando se barateia os custos, desburocratiza o trabalho, e otimiza as formas de comunicação, aumenta-se volume, e é exatamente ai que todos saem ganhando, afinal, 50% de muita coisa certamente é melhor do que 100% de pouca coisa e que tende a diminuir, inclusive.
Dessa forma, conforme exposto, caso a sociedade opte por não entrar na “onda”, estará fadada ao fracasso, pois, seguindo a linha de Maslow, é inevitável que novas necessidades sejam atendidas, portanto, é mister que a classe dirigente das nações tratem sobre tais avanços de forma visionária, obviamente respeitando a realidade de cada um, sobretudo interfirindo positivamente quanto a benéficies derivadas destas mudanças e buscando a adaptação, através de capacitação, regulamentação e principamente simplificação dos meios de trabalho, afinal, de um jeito ou de outro tudo irá se reorganizar sempre e de forma orgânica, porém, a maneira como for conduzido fará toda a diferença.