A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 23/02/2021

A transição para novas formas de trabalhar, estudar e se relacionar através da tecnologia se mostrou  mais evidente com o surgimento da pandemia. A necessidade de buscar novas formas de realizar serviços considerados necessários impulsionou a utilização de serviços através da internet, tanto na busca por aplicativos que os oferecessem quanto a implantação do home office e do ensino á distância.

Com o aumento das condições impostas pelo mercado de trabalho, boa parte dos brasileiros têm  tido dificuldade em obter um emprego formal. A utilização de serviços como o Uber causou interesse na população devido ao preço baixo e a acessibilidade, substituindo muitas vezes os tradicionais. Em consequência desses fatores, a remuneração costuma ser baixa, e não há estabilidade de salário para os trabalhos de ‘’bico’’ realizados, já que dependem exclusivamente da demanda.

Em conjunto á uberização do trabalho, o home office tem sido apresentado como uma das opções que permitiriam que o funcionário pudesse flexibilizar seus horários e ter maior controle de seu expediente. Entretanto, têm mostrado o contrário. Devido á rápida necessidade de adaptação aos novos costumes, houve uma maior dificuldade em lidar com eles. Antes, o trabalho era restrito a um determinado ambiente por um período de tempo, agora as jornadas estão cada vez mais longas. Além do cansaço físico e psicológico, há a falta de costume em utilizar as ferramentas tecnológicas.

Visando a sobrevivência, esse tipo de atividade é vista como uma medida temporária para lidar com a crise, enquanto há o aguardo de uma oportunidade de emprego formal e estabilidade financeira. Em uma tentativa de conter a taxa de desemprego e incentivar a criação de novos negócios, o governo sancionou a Lei da Liberdade Econômica, visando diminuir a burocracia necessária para mantê-los. Para as empresas, tornou-se uma vantagem, visto que muitas pretendem manter a maior parte dos funcionários trabalhando em casa depois da pandemia, sendo vantajoso tanto para a requisição de maiores jornadas de trabalho, quanto para a diminuição de benefícios e custos.

Para que esse novo fenômeno cultural seja utilizado de forma benéfica e segura, é necessário a sanção de leis que regulamentem a atividade das empresas, para que os direitos básicos do funcionário sejam garantidos. Também há a necessidade de investir em projetos sociais que auxiliem as pessoas de baixa renda e escolaridade, diminuindo a necessidade de manter empregos informais, muitas vezes análogos á escravidão. Sendo assim, a longo prazo, poderá haver maior facilidade dos cidadãos em acompanhar o progresso do mercado.