A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 02/03/2021
Diferente da 1ª Revolução Industrial, que teve como objetivo a implantação de um novo sistema em que os proprietários das fábricas tinham poder opressor visível sobre os trabalhadores, na Era Tecnológica atual, a violência não é aparente, ela é simbólica. Isso ocorre pelo fato de a 4ª Revolução Industrial estar estruturada no neoliberalismo. Esse modelo adotado pelo Governo não prioriza o bem-estar nem os direitos dos trabalhadores e, como consequência, vê-se o aumento do desemprego e, assim, a busca por novas alternativas, como o trabalho autônomo.Assim, essa conjuntura gera uma falsa ilusão de liberdade e indivíduos esgotados.
Nesse sentido, a instauração desse sistema no país, sem que o Estado assegure direitos sociais básicos ao trabalhador, gera uma sociedade instável. Esse panorama pode ser observado na atualidade com o crescimento do desemprego e o fato de a população ter que se submeter a trabalhos precários. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua teoria sobre violência simbólica, esse tipo de opressão ocorre pela falta de equivalência de capital. Analogamente, na onda neoliberal, que transforma o trabalhador, antes oprimido pelo patrão, em empresário de si mesmo, existe uma violência que não é aparente. Isso, porque, para que o indivíduo consiga um salário para se manter, ele terá que trabalhar exaustivamente, em situações precárias e sem direitos trabalhistas. Ou seja, o próprio trabalhador explora a si mesmo e contribui para a manutenção desse sistema capitalista hierárquico.
Esse novo sistema laboral, portanto, cria uma distorção da realidade, pois com a “uberização” do trabalho, o sujeito em sequer é consciente da sua submissão. Com isso, é muito comum a busca exaustiva pelo aumento do desempenho e da produtividade. Consoante a isso, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han descreve a sociedade do século XXI como a “sociedade do desempenho”, com sujeitos que buscam, a todo o tempo, o poder sobre o seu próprio negócio, o que gera uma ilusão de liberdade. No entanto, contraditoriamente, nesse sistema econômico super agressivo, na maioria das vezes, a carga de trabalho não é proporcional ao salário. Consequentemente, o cansaço de tentar, mas não conseguir uma estabilidade financeira, gera uma insatisfação e um esgotamento físico e mental.
Dessa maneira, a fim de gerar empregos e consolidar as leis trabalhistas brasileiras, o Governo deve abandonar essa lógica econômica e, assim, intervir para assegurar os direitos fundamentais à população. Isso pode ser feito a partir da ampliação de obras públicas, como de saneamento básico e transporte, ou seja, o próprio Governo Federal gerará empregos e estabelecerá salários e carga horária justos. Além disso, o Parlamento deve aprovar medidas que garantam a manutenção das leis trabalhistas, com o objetivo de efetivar os direitos e o bem-social dos trabalhadores.