A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 13/03/2021

No livro “O Capital”, são retratadas as relações de trabalho sob um âmbito político-social do século XX. Na obra, o autor Karl Marx expõe a classe trabalhadora, a qual não detém dos meios de produção- a “mais-valia”, como submissa ao Estado. Nesse contexto, o livro alude ao cenário brasileiro, uma vez que a negligencia estatal diante os trabalhadores privatizados, atrelada à flexibilização do trabalho corroboram as causas e consequências da “uberização” da economia.

Em primeiro plano, é fulcral mencionar a ingerência estatal em relação aos trabalhadores privatizados do ramo da entrega e transporte como precursor da problemática. Sob essa ótica, Marx Webber, ilustre sociólogo, defende que o Estado só é legitimo quando garantidos os direitos aos cidadãos, como condições dignas de trabalho. Nessa perspectiva, há a deslegitimação do Estado brasileiro, uma vez que a carência de insumos, exemplificado pelos auxílios trabalhistas, para os funcionários dessas empresas, como a Uber, inviabiliza a realização dessas tarefas. Desse modo, a problemática configura-se como um fator que potencializa as desigualdades sociais no país em virtude da precariedade desse ramo e desequilíbrio salarial em virtude da indiferença estatal.

Ademais, é imperioso destacar a consequência da liberdade aos trabalhadores dessas empresas como benéfica. Isso porque, o funcionário dispõe de flexibilidade, tanto salariais quanto horária, em virtude da inserção tecnológica, uma vez que há a necessidade da utilização de aplicativos para realização do trabalho, o qual só é realizado quando o cliente necessita. Nessa perspectiva, os ideais neoliberalistas propostos por Adam Smith na obra  “A Riqueza das Nações’’ são vivenciadas no cenário tecnológico brasileiro, de modo a propiciar  situações semelhantes ao trabalho autônomo, pois as empresas ‘‘uberizadas” funcionam apenas como mediadores nas relações cliente-empregado.

Destarte, é mister a implantação de uma medida a qual vise mitigar o quadro atual. Portanto, o Ministério do Trabalho, responsável pela manutenção das leis trabalhistas, deve propor sanções para valorização desses trabalhadores. Essa ação deverá ser realizada por meio de incentivos governamentais destinados à criação de auxílios trabalhistas, como uma minimização dos custos de transporte desses trabalhadores, como barateamento gasolina. Só assim para garantir os direitos aos trabalhadores, assim a realidade abordada por Marx não será vivenciada na sociedade.