A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 16/03/2021
No desenho japonês “Guren lagaan”, é apresentada uma história em que a humanidade, por se desenvolver tecnologicamente rápido demais, é aprisionada no subsolo de um planeta desértico por raças alienigenas. Tendo em vista esta obra, é possível fazer um paralelo entre a ficção e os dias atuais, onde a modernização é cada vez mais veloz. Com isto, são criados novo fenômenos sociais, como a descentralização do trabalho, a chamada “uberização”, que apesar de trazer certa precarização das atividades laborais de uma parcela da população, dá uma grande liberdade para a sociedade.
Primeiramente, a descentralização dos serviços traz consigo a precarização das atividades laborais. Da mesma forma que os trabalhadores eram explorados na primeira revolução industrial, por conta da ausência da legislação trabalhista naquela época, os ocupantes das vagas desses “novos empregos” também, de certa maneira, estão sendo. Isso se dá pela falta de leis que os proteja, já que por ser um fenômeno novo, falta organização desses trabalhadores e debate da questão pelas autoridades. Assim, é possível perceber a precarização do trabalho descentralizado.
Por outro lado, esta descentralização traz uma grande liberdade para o povo. Segundo Adam Smith, economista iluminista, quanto maior a oferta de um bem, menor seu preço. Assim, como a “uberização” do trabalho permitiu que uma massiva quantidade de pessoas pudessem oferecer seus serviços de maneira rápida e facilitada, ela aumentou expressivamente a oferta dessas atividades e levou a uma queda de seus preços. Dessa forma, mesmo que as custas da precarização das condições laborais de uma parcela da sociedade, a população pôde experimentar um aumento do bem-estar, visto que, por essa queda de preços dos serviços, cai também o custo de vida e aumenta-se a liberdade da população, que não só tem mais opções de contratação como também mais dinheiro sobrando.
Percebe-se, então, que a “uberização” trouxe liberdade para população, apesar de precarizar as condições de trabalho de uma parte da sociedade. É preciso, assim, tomar medidas para melhorar as condições laborais desses novos trabalhadores. Entre as possíveis medidas a serem tomadas, está a estimulação, por meio de um programa do governo federal, da criação de sindicatos organizados por esses trabalhadores, que não só defenderiam os interesses dessa classe, como também lutariam para a criação de uma legislação que os protegesse. Seguiriam, dessa forma, o exemplo dos trabalhadores da primeira revolução industrial, que tanto lutaram para a criação de uma sociedade mais humana.