A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 20/03/2021

Em 1995,  Fernando Henrique Cardoso assumia a presidência brasileira e, junto com ele, os ideais neoliberais que ascenderam mundialmente a partir da decáda de 70. Desde então, a politíca neoliberal de flexibilização econômica tem trazido como consequência uma fragilidade nas condições trabalhistas, entre elas, a “uberização” do trabalho. Diante desse cenário, é imprenscindível refletir as causas dessa precarização, bem como suas consequências.

Para entender o porque da “uberização” do trabalho não ser uma liberdade, é necessário primeiro analisar a conjuntura presente na ascensão do trabalho informal. Tomando como base o pensamento de Einstein, o qual afirmou que " todos agem não apenas sob um constrangimento exterior, mas também por uma necessidade interior", percebe-se que a crise política e ecômica, devido a quebra da bolsa de Nova York em 2008 e o escandâlo da lava jato em 2015, levou a um desemprego em massa, que comungou com a ascensão de empresas como a Uber. Assim, muitos desempregados viram na figura do entregador autônomo uma chance de conseguir rentabilidade miníma. Percebe-se, então, que essa “uberização” vem de uma necessidade interior, e não da escolha, por livre e espontânea vontade, de uma ocupação que não garante nenhum direito trabalhista.

Assim,  tal processo trouxe como consequência uma extrema insegurança na qualidade de vida do trabalhador, isso porque não há nenhum direito sendo assegurado ao funcionário, que ganha por hora, frequentemente aderindo a uma enorme jornada de trabalhado, sem garantia de renda fixa e sem nenhum seguro de vida. Além disso, a “uberização” traz também uma extrema invibilização da necessidade da criação de novos empregos, visto que, apesar de não possuírem direitos, essa parcela de trabalhadores também detém o status de empregado.

Portanto, cabe ao governo, representado através do Ministério da Economia, aumentar a empregabilidade formal. Tal ação deve acorrer por meio da formulação de um plano econômico nacional, o qual deve incluir o incentivo às empresas nacionais, bem como um investimento nas estatais. A fim de que os trabalhadores possam ter seus direitos trabalhistas assegurados através do emprego formal, diminuindo a precarização gerada pelas politícas neoliberais de empresas como a Uber.