A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 22/03/2021
O compartilhamento de serviços, conhecido também como uberização, surgiu no Vale do Silício, após a crise econômica mundial de 2008, com o intuito de democratizar a oferta de serviços e a redução de custos. Todavia, na contemporaneidade, esse fenômeno reflete na precarização do trabalho de muitos brasileiros, fato que configura um preocupante problema. Tal conjuntura é intensificada pelo crescimento do desemprego no país e resulta no exercício de atividades em condições inadequadas. Dessa forma, medidas são fundamentais para alterar essa realidade.
Em primeira análise, cabe pontuar que a queda no número de pessoas empregadas amplia o processo de uberização. Segundo o portal de notícias da Globo, nos últimos anos o Brasil vem enfrentando uma forte crise econômica, ocasionada pela redução de investimentos em vários setores da economia e por instabilidades políticas internas. Nesse contexto, algumas empresas optam pela redução de custos, o que inclui a demissão de funcionários, principalmente os não especializados - aumentando os índices de desemprego conjuntural. Com efeito, muitas pessoas aderem ao trabalho informal, especialmente aqueles vinculados a aplicativos, como o Uber e o Ifood, que oferecem flexibilidade de horários e autonomia para o trabalhador.
Posteriormente, entre as consequências dessa economia de compartilhamento, destaca-se as condições precárias de trabalho. O economista britânico Guy Standing, em seu livro “O precariado: a nova classe perigosa”, levanta um debate acerca de uma classe emergente em todo mundo, que leva uma vida de trabalho insegura e sem amparo de uma legislação. Sob tal ótica, pode-se afirmar que essa classe de precariados é produto do processo de uberização, uma vez que os trabalhadores são privados de seguurança e de garantias trabalhistas, tais como renda fixa, férias e folgas, horas extras remuneradas, seguro desemprego, entre outros direitos. Além disso, as longas jornadas de trabalho comprometem a saúde física e psicológica dos trabalhadores. Logo, é imprescindível a proposição de medidas para atenuar essa situação.
Portanto, ao analisar o aumento do desemprego no país e a ausência de uma legislação trabalhista, observa-se a influência desses no entrave social, o que exige uma plano de ações eficiente para reduzir o problema. Posto isso, compete ao Ministério da Educação, por meio de investimento governamentais, ampliar a oferta de cursos técnicos dentro das escolas públicas - introduzindo cursos de capacitação para jovens no período da manhã e da tarde e para adultos no período da noite -, a fim de garantir a especialização da mão de obra e diminuir o número de pessoas que perdem emprego pela falta de qualificação profissional e precisam trabalhar sem ter direitos trabalhistas básicos.