A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 25/03/2021
Com o advento da modernidade, a partir do século XVIII, as ligações globais se tornaram muito mais fáceis e descomplicadas. Nos dias atuais, é notório a forte presença das tecnologias digitais que conectam pessoas e serviços a todo instante, gerando um grande debate acerca da chamada ‘‘uberização’’ do trabalho. Nesse sentido, não somente a precarização trabalhista, mas também a fragilidade das relações entram como principais problemáticas acerca do tema.
Preliminarmente, cabe ressaltar que a precarização trabalhista é um grande empecilho para o progresso. Isso acontece porque, nos últimos anos, o aumento do desemprego e a crise econômica contribuíram para que o número de trabalhadores de aplicativos aumentasse significativamente. Concomitantemente, ao estar fora de um trabalho terceirizado ou temporário, o trabalhador se encontra desprotegido das leis trabalhistas. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número de motoristas de aplicativos, taxistas e motoristas e trocadores de ônibus aumentou 29,2% em 2018. Nesse ínterim, os trabalhadores ficam expostos às diversas precariedades, como a ausência de férias e a falta de salários fixos.
Ademais, a fragilidade das relações também se qualifica como uma entrave para a resolução do problema. Tal motivo ocorre porque com as facilidades trazidas pela tecnologia do século vigente as relações entre trabalhador e empresa se tornam frágeis, pela inexistência de formalidades. Conforme dito pelo sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, vive-se a era pós-moderna, em que as pessoas estão inseridas numa sociedade líquida, sem conexões duradouras. Dessa forma, é perceptível que a uberização corrobora com esse fato, já que não há o contato efetivo permitindo, assim, a debilidade intercomunicativa.
Portanto, torna-se imprescindível que mudanças emergenciais sejam realizadas diante da triste realidade. Nesse sentido, faz-se necessário que o Governo Federal, através do Ministério do Trabalho, altere o documento de leis trabalhistas e que haja discussão sobre as condições de trabalho oferecidas a quem não tem carteira assinada com o fito de que haja uma menor precarização. Além disso, cabe ao Estado, por intermédio do Ministério da Educação, conscientizar sobre os malefícios que a tecnologia em excesso pode trazer, para que os danos causados sejam atenuados. Assim, poder-se-á ter um futuro para os trabalhadores brasileiros possuindo seus devidos direitos.