A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 25/03/2021
No filme “Você não estava aqui” retrata o drama de um pai de família que adquire o trabalho informal com a esperança de melhorar as condições financeiras, contudo não recebe a recompensação prometida. Fora do filme, a uberização do trabalho consiste na utilização da tecnologia para encurtar a oferta e demanda de serviços, porém também cria uma ilusão social de liberdade disfarçada pela precarização.
De acordo com o Forúm Econômico Mundial, a quarta revolução industrial proporcionou grande avanço nas tecnologias de comunicação, prestando os serviços de forma mais ágil. Em consequência, o desenvolvimento de aplicativos de entrega trouxe o idealismo de liberdade independência, pois reconfigura as etapas do trabalho tradicional onde consiste na presença de um patrão, por outro lado, nos aplicativos isso se encontra virtualmente. Todavia, de acordo com o sociólogo Ricardo Antunes, “a uberização do trabalho é o trabalho assalariado com aparência do trabalho do empreendedor”, ou seja, os trabalhadores não conseguem enxergar a precarização que estão vivenciando.
Destaca-se também dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o qual demonstra que 13,2 milhões de brasileiros encontram-se desempregados. Conseguinte, ocorre a necessidade de entrar no mercado de trabalho, contudo ao fazer isso por meio da uberização sucede a não proteção dos direitos trabalhistas previsto nos Direitos Constituicionais do Trabalhador, dessa forma o trabalhador está colocando em risco sua vida e seus direitos, além de toda luta trabalhista ocorrida ao longo dos séculos.
Portanto, medidas precisam ser tomadas para resolver o impasse. O Ministério do Trabalhado deverá adotar leis que regularizam os trabalhos virtuais, junto das empresas privadas responsáveis, para que os trabalhadores não sejam mais informais e tenham seus direitos constitucionais. Dessa forma, os empregos irão aumentar, assim como a segurança do trabalhador.