A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 07/05/2021
Movimentos trabalhistas em prol da conquista de direitos e melhores condições de trabalho, tiveram seu início no estopim da primeira revolução industrial, em detrimento das péssimas condições de trabalho. Entretanto, analisa-se nos dias atuais que o sistema intrínseco dos trabalhos populares não sofreu mudanças significativas nas relações de exploração. Tal afirmação fica clara ao observar-se a ação da tecnologia na era da “uberização” do trabalho, que oferece a sensação de liberdade aos trabalhadores que são levados a procurarem trabalhos informais, mas ficam desprotegidos pela lei das consequências arbritárias.
É importante compreender, em primeiro plano, as causas que tornaram os trabalhos informais ou temporários em uma realidade frequente no século XXI. Pois, sob esse âmbito, entende-se que o meio trabalhista formal encontra-se cada dia mais saturado, consequentemente exigindo maiores níveis de especializações e habilidades específicas. Entretanto, é de entendimento geral que o Brasil é marcado por grande disparidade social e massas populacionais de baixa renda que não possuem instrução educacional e profissional. Consequentemente, a educação de baixa qualidade oferecida para a população marginalizada, faz com que essas pessoas sejam levadas a buscar trabalhos informais que não exijam alta qualificação.
Contudo, os trabalhadores sujeitados a categoria de trabalhos terceirizados digitais que não possuem carteira de trabalho assinada deixam de ser protegidos pela lei, ficando expostos à possíveis explorações em seu meio precário de trabalho. Essa visão condiz com as ideias de Marx, uma vez que para o sociólogo o trabalhador quando alienado desvaloriza o valor de seu trabalho e fica menos consciente da exploração que sofre.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para reverter o quadro atual. Logo, tendo em vista a realidade supracitada , compete ao Governo Federal criar projetos de educação profissional para a população de baixa renda. Pois, assim como afirmado por Imannuel Kant “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Paralelamente, é imperativo que o Poder Legislativo juntamente com o Ministério do Trabalho elaborem leis para proteger o trabalhador informal. Pois, somente assim será possível usufruir da era da “uberização” de forma justa para os trabalhadores nela presente.