A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 11/04/2021

No documentário ‘‘Gig: a uberização do trabalho’’ é retratado a precarização e gamificação do trabalho. Nesse sentido, a narrativa revela a exploração do trabalhador, e mecanismo de vício atráves dessa gamificação, onde o trabalho vira jogo de sobrevivência. Fora da ficção, fica claro que a realidade pode ser relacionada aquela do século XXI, tanto pela neoliberalização dos direitos trabalhistas, quanto pela negligencia governamental e da sociedade

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a neoliberalização dos direitos trabalhistas, em que houve terceirização e flexibilização, onde os direitos básicos não são respeitados, onde não se tem vínculo empregatício para garantir o direito a segurança, salário mínimo e limite de horas. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, de 2016 para 2019 ouve um aumento de 14,9% dos trabalhadores que atuam sem carteira, no período antes e pós reforma trabalhista. Nessa conjuntura, vê-se que, houve a liberação da falta de vínculo empregatício, gerando escravização do trabalho.

Além disso, é pertinente ressaltar a negligência governamental, onde os cidadãos escolhem o trabalho tecnológico, como alternativa a ausência de empregos formais, onde não se tem a oportunidade de crescimento, em que o trabalho se polarizou em ‘‘bicos’’, o homem vira multifunções e no final, não trabalha em lugar nenhum, sofrendo sem condições de subsistir materialmente, estudar, e ter direito a férias, lazer. Sob esse viés, o homem, na chamada Quarta Revolução Industrial, padece com todos esses fatores.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, através de um projeto de lei execute uma nova reforma trabalhista, em que seja garantido vínculo empregatício e direitos trabalhistas para esses empregados. Assim, se consolidará uma sociedade mais juta e igualitária, e o estado cumprirá seu ‘‘contrato social’’ tal como afirma John Locke.