A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 17/04/2021
Karl Marx, sociólogo nascido em 1818, definia o trabalho como a atividade sobre a qual o ser humano emprega sua força para produzir os meios para o seu sustento. Nesse sentido, em contrapartida com os dias atuais, a relação uberização do trabalho, que consiste em trabalho autônomo e independente torna-se cada vez mais popular. Entretanto, embora esse tipo de serviço seja visto como o oposto do desemprego, destaca-se a precariedade do trabalho que esses indivíduos se sujeitam. O principal argumento que defende esse ponto de vista refere-se a ausência de direitos trabalhistas.
Em uma primeira abordagem, levando-se em consideração que essa relação de trabalho não apresenta vínculos com empresas, não há direitos trabalhistas para quem exerce esse serviço. Segundo um estudo recente da Associação Aliança Bike, os cerca de 30 mil ciclistas entregadores de app da cidade de São Paulo trabalham, em média, 12 horas por dia, durante os sete dias da semana, para ganhar menos de mil reais por mês. Tal condição é prejudicial, visto que esses direitos ausentes na uberização asseguram que todo colaborador tenha relação de emprego, auxílio doença, férias e 13º salário.
Ademais, vale ressaltar a grande desigualdade econômica que assombra o Brasil, que influencia no ingresso em trabalhos por aplicativos. Segundo dados do IBGE, 4 milhões de pessoas trabalham para empresas de aplicativos de serviços no Brasil sem vínculos trabalhistas. Dessa forma, enquanto deveria ser garantido trabalho justo e seguro a todas as pessoas, a realidade é de que o agravamento do desemprego cresce significativamente.
Evidencia-se, portanto, que a uberização é uma solução de curto prazo. Cabe, assim, ao Poder Legislativo criar um projeto de lei de regulamentação dos serviços prestados via plataformas digitas, com regras a serem seguidas pelos aplicativos. Dessa maneira, será dado um suporte ao trabalhador e haverá mais oportunidade de serviço entre homens e mulheres.