A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 16/04/2021
De acordo com o filósofo alemão Karl Marx, a classe dominante de uma sociedade sempre procura meios de manter a estrutura social de forma que consiga proteger seus interesses. Neste contexto, a modernização das relações de trabalho levou à criação de diversas empresas que oferecem aos seus trabalhadores uma forma de trabalho mais flexível, como Uber, iFood e Rappi; este modelo de trabalho recebeu o nome de uberização. No entanto, por trás desta maior liberdade proporcionada ao “empregado”, há uma exploração das pessoas inseridas naquela plataforma, algo que apenas piorou com a crise da pandemia.
Primeiramente, a pessoa que trabalha em aplicativos de transporte ou entrega não pode ser chamada de empregada. Isso se deve porque, segundo os próprios termos de uso do iFood, quem se cadastra no aplicativo é um trabalhador autônomo e, por conseguinte, não há procedimentos comuns da contratação formal, como processo seletivo ou treinamento. O perigo nesta espécie de relação é a abertura que as empresas criam para se abster de conceder direitos trabalhistas básicos aos motoristas e entregadores.
Esta ausência de direitos implica na ausência de um salário fixo, fator constantemente explorado pelas empresas por benefício próprio. Segundo uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 59% dos entregadores entrevistados sofreram quedas em seus ganhos durante a pandemia. Como consequência destes menores ganhos, os entregadores passam a trabalhar mais para tentar ganhar o que ganhavam. Neste cenário, o trabalhador trabalha durante a maior parte de seu dia e ganha cada vez menos.
Considerando todo este contexto, o fator da pandemia apenas agrava mais a situação. Devido à necessidade da população de ficar em casa, os serviços de delivery cresceram exponencialmente. Desta maneira, entregadores arriscam suas vidas ao passarem os dias nas ruas entregando conforto para aquelas pessoas que podem ficar isoladas em suas casas. Apesar disso, as empresas negam férias, procedimentos de segurança contra o coronavírus ou qualquer medida que garanta a segurança e vida dos trabalhadores. Dado este cenário, é de extrema importância que, por meio de greves, os motoristas e entregadores se movimentem e pressionem as empresas de forma que estas cedam e comecem a proporcionar os direitos básicos de trabalho. Além disso, as empresas devem garantir a segurança dos trabalhadores durante este período de pandemia; é preciso que parem de buscar o máximo de lucro por um momento e tratar os entregadores como reais empregados. O modelo de uberização deve ser evitado porque é sinônimo de exploração.