A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 17/04/2021
No dia 1º de Maio de 1943, Getúlio Vargas juntamente com seu ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, Alexandre Marcondes Machado Filho colocaram em vigência o decreto-lei nº 5. 452, que aprovou a CLT (Consolidação das Leis de Trabalho), referente ao direito do trabalho e a seu direito processual. Graças a modernização do processo trabalhista, a relação entre empregado e empregador está ficando cada vez mais distante e embora isso seja uma alternativa para o desemprego e possibilite uma maior liberdade para escolher horários e tarefas, as garantias trabalhistas da CLT são perdidas consequgerando uma precarização do trabalho.
Até o século XX, a regra em todo o planeta era que os trabalhadores (incluindo crianças) pegassem no pesado por até 18 horas diárias e foi apenas em 1932, no Brasil, com a mobilização organizada dos trabalhadores do comércio, que uma lei passou a instituir a jornada de 8 horas. Esse é muitos outros direitos trabalhistas não foram dados, mas sim conquistados. A modernização do trabalho não apenas distância a relação empregado e patrão mas também inválida o esforço feito por muitos para que tivessem os devidos direitos garantidos durante sua jornada de trabalho.
“Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”, diz Klaus Schwab, autor do livro A Quarta Revolução Industrial. Com o avanço da tecnologia, a maneira como o trabalho é realizado se adapta a essas transformações e essa adaptação no paradigma das produções é a verdadeira raiz da precarização do trabalho. A atual conjuntura de desenvolvimento do capitalismo é marcada pela forte automatização da produção, isto é, o significativo processo irreversível de transformações no processo produtivo pela substituição da mão de obra humana. A precarização do trabalho significa o desmonte dos direitos trabalhistas, e reflete na atual situação socioeconômica que não só o Brasil, mas que grande parte da população mundial se encontra. O Brasil deve ser tornar o 14º país com maior taxa de desemprego do mundo em 2021. Os dados são de um levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating .
Para conter o crescimento exponencial da “uberização do trabalho” o governo deve ter ações para incentivar a ampliação do setor industrial no país e isso consequentemente gerará mais postos de trabalho a serem preenchidos. Com a abertura de novas vagas de emprego haverá uma concentração maior de trabalhadores dentro das empresas do que como autônomos.