A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 27/05/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita caracterizada pela ausência de conflitos. Entretanto, o que ocorre na realidade contemporânea é o oposto do que é pregado pelo autor, afinal, a “uberização” do trabalho na era tecnológica apresentam barreiras que nos distanciam dos planos de More. Esse cénario é fruto não só da falta de direito por causa das terceirizações como também das redes contratuais descentralizadas. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, afim do pleno desenvolvimento da sociedade.
Primeiramente, é importante destacar que a inexistencia de direitos para trabalhadores terceirizados deriva da baixa atuação dos setores governamentais. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, porém, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação do estado, o trabalhador terceirizado não desfruta dos direitos de um trabalhador registrado, portanto, caso haja algum tipo de imprevisto não obterá nenhum tipo de ajuda financeira ou de qualquer outro tipo. Assim sendo, faz-se necessário a reformulação urgente dessa postura para que então tenhamos aumento de empregos e uma rede centralizada.
Ademais, é vale ressaltar as redes contratuais descentralizadas como promotor do problema. De acordo com a revista Exame a economia formal vem sendo cada vez mais precarizada e os trabalhadores reduzidos cada vez mais à terceirizados ou tempórarios, o que lhes tira o direito trabalhista. Partindo desse pressuposto, vemos que essa necessidade obsessiva de encurtar a distancia entre oferta e demanda cria um ambiente onde existe muita demanda “temporaria” com menos custos, privando assim, o empregado de ter garantias e forçando-o a se esforçar mais . Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que essa rede descentralizada contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
É necessário, portanto, que as escolas em acordo com o Estado, atuem de forma incisiva para mitigar o problema. Para que isso ocorra o Ministério da Educação deve incrementar palestras sobre os direitos trabalhistas para que, desde antes de entrar no mercado de trabalho, estejam todos cientes dos seus direitos. É dever do Estado, então, averiguar o modo de tratamento que as empresas tem com seus funcionarios, sejam eles terceirizados, temporarios ou integrais. Desse modo, atenuar-se-á, a médio e longo prazo, o impacto nocivo da “uberização” do trabalho, e assim, a coletividade alcançara a Utopia de More.