A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 01/05/2021
É evidente que a globalização moveu o mundo nos campos da comunicação e das relações do trabalho. Nesse sentido, é incontestável afirmar que junto à globalização houve também um grande avanço nas tecnologias, que, certamente, impactou os vínculos laborais sobretudo nos dias de hoje. Levando em consideração a questão do trabalho e o processo de “uberização”, constata-se que o surgimento de aplicativos algoritmizam e barateiam o valor do serviço. Dessa maneira, fica clara a necessidade de ações a serem impostas que visem a regularização do trabalho dessa categoria.
Em primeiro lugar, vale a pena destacar a grande ascensão no setor dos prestadores de serviço em aplicativos. De acordo com a realidade dos motoristas de aplicativos, verifica-se que realmente existem aspectos positivos, os quais incitam essas pessoas a trabalharem nessa função, como: a flexibilidade entre o trabalho e a vida pessoal, a autonomia - ou seja, a independência de um patrão - e não menos importante, a determinação de seus próprios objetivos que condizem de acordo com as suas necessidades pessoais. Além disso, há também outros fatores para o grande avanço desse ramo, por exemplo a exorbitante taxa de desemprego que vitima a nação brasileira, bem como a eclosão da pandemia da Covid-19. Desta forma, fica explícito que o processo de “uberização” pode sim trazer algumas regalias para os trabalhadores que designam essa função.
Em contrapartida, é cognoscível que conforme os motoristas de aplicativos detêm de alguns benefícios trabalhando nesse posto, há também grandes obstáculos que são enfrentados. Segundo informações da plataforma digital do jornal Folha de São Paulo, um entregador de comida de um aplicativo morreu a espera de uma ambulância durante uma entrega, a empresa não prestou nenhuma ajuda e um motorista da empresa Uber se recusou a levá-lo a um hospital. Embora o processo de “uberização” traga consigo alguns aspectos positivos, apresentam também os seus pontos negativos como a informalização do trabalho, a perda dos benefícios da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ausência de um salário fixo e a falta de uma legislação que zele pela vida dessa categoria. Assim, urge a necessidade da atenção dos órgãos competentes nessas questões.
Portanto, é mister que para melhorar a situação dessa parcela de trabalhadores, é primordial que seja elaborada uma legislação que formalize o processo de “uberização”, além de conceder o acesso aos benefícios da CLT, por meio de compromissos feitos entre os ministérios que desempenham a função de debater as questões trabalhistas, já que o Ministério do Trabalho foi extinto, e a empresas donas dos aplicativos, como a própria Uber. Dessa forma, é esperado que esses serviços não sejam vistos como marginalizados e que os trabalhadores não sofram com a ausência de direitos.