A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 02/05/2021

No documentário “Gig: a uberização do trabalho”, é abordado o fenômeno crescente do trabalho conciliado por plataformas digitais. Ao longo da trama, a narrativa revela histórias reais e discussão sobre a intensificação e a precarização dos serviços prestados. Desse modo, fica claro que a realidade apresentada no documentário é de empresas do século XXI, utilizando uma modalidade trabalhista do século XIX, que torna o indivíduo um elemento cada vez mais irrelevante e desprotegido, sem vínculos, pela ausência ou flexibilização de legislação.

Em primeiro lugar, faz-se necessário lembrar que a irrelevância do trabalhador implica em intensas jornadas de trabalho e sem descanso. De acordo com o economista Guy Standing, os precariados - classe emergente, definida por pessoas que levam uma vida de insegurança- estão sendo obrigados a aceitar uma realidade de empregos instáveis, tendo que realizar serviços que não são trabalho, pois são explorados fora do espaço físico e horários regulares, o que aumenta a exposição dos mesmos a riscos multidimensionais à integridade física e mental. Assim, fica claro que, baseando-se na ideia de Standing, os precariados estão dentro de um sistema em que o trabalho duro e o talento não são reconhecidos.

Além disso, os empregados não possuem nenhum direito, enquanto as empresas as quais estão relacionados têm grandes lucros, eles ganham apenas pelo tempo de trabalho e arcam com todos os gastos individualmente. Dessa maneira, não existe responsabilidade ou obrigação, por parte das instituições, em relação aos parceiros. De acordo com a Breque dos Apps, as reivindicações dos entregadores buscam o aumento das taxas mínimas, seguro para roubos e acidentes e fim dos bloqueios indevidos, visando valorizar o próprio trabalho. Logo, fica evidente que é de extrema importância a criação de legislação para a proteção desses.

Portanto, é preciso que o Governo tome providências para solucionar o quadro atual. Para dar proteção e evitar desacatos ao trabalhador, urge que o Governo Federal juntamente com o Ministério da Economia solicite, por meio de um sistema criado pelas empresas para segurança social, incluindo assistência à saúde, uma autorregulamentação que estabeleça regras visando garantir a qualidade e responsabilidade perante seus serviços. Somente assim, será possível que a realidade mostrada no documentário Gig se torne apenas uma ficção.