A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 27/04/2021

A revolução 4.0 trouxe consigo tecnologias inovadoras que expandiram o setor econômico mundial, e essas desenvolveram novos métodos trabalhistas, ao qual a uberização se destacou por ser uma tendência macroeconômica com o objetivo de estabelecer uma proximidade entre os consumidores e fornecedores, através de aplicativos como Uber, iFood, Miss Limpeza, Rappi e outros. Contudo, a precarização do recente sistema é evidente, visto que a falta de legislação e estabilidade são frequentes, assim como a exploração do trabalhador.

Faz-se necessário abordar que 12,4% da população brasileira se encontra no estado de desemprego,  de modo que a alternativa de adentrar no mundo uberizado seja uma forma de escape e renda rápida para aqueles que necessitam, todavia, mesmo trabalhando para uma organização, o indivíduo não se torna um funcionário com carteira assinada, sendo negado a ele os direitos trabalhistas, uma vez que esse cidadão ainda se encontra “desempregado”. De acordo com o especialista em direito do trabalho Rogério Dias, “A pessoa que faz esse serviço não tem nenhum direito ou garantia. Ele está totalmente desamparado pela legislação." Portanto, fica claro que o sujeito fica à mercê de uma irrelevância por parte da empresa, pois esse tem que arcar com todos os perigos e materiais para a realização do trabalho, sendo desfavorecido em prol da corporação.

Ademais, a escassez da estabilidade torna-se irrefutável, já que o indivíduo não possui uma renda fixa, ficando exposto ao cálculo dos algoritmos que definem o salário de cada jornada de trabalho, sendo requisitado uma grande escala para adquirir um bom retorno, evidenciando a exploração do trabalhador. No filme “GIG- A Uberização do Trabalho”, o enredo retrata a vida das pessoas que vivem nessa nova metodologia, mostrando as dificuldades diárias e o real defeito do sistema, assegurando que o senso comum idealiza um pensamento errôneo ao caracterizar a uberização apenas como um processo de liberdade e flexibilidade, com foco nos resultados e maior tempo para a vida pessoal, esclarecendo a total negligência da população para com os problemas do novo processo.

Em virtude do exposto, é inquestionável o retrocesso das relações de trabalho, analisando o fato de que a conquista por direitos trabalhistas foi revogada pela uberização, tornando necessária uma intervenção dos Governos Municipais de cada cidade, introduzindo um projeto com o intuito de inserir esse público no mercado de trabalho, disponibilizando cursos profissionalizantes para os que não possuem formação e induzir as empresas a contratarem funcionários e se alojarem nas cidades para expandir a busca de mão de obra, visando a estabilidade financeira e recuperação dos direitos, tornando o trabalho uberizado apenas uma forma de aumentar a renda, e não a principal fonte.