A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 30/04/2021
Nos dias atuais, a internet tem sido um meio muito utilizado por todos, tanto para vida pessoal, quanto para a profissional. Nesse contexto, surge a uberização, que é a relação de trabalho via internet, por meio de aplicativos. Esse termo faz referência a empresa Uber, que é a maior empresa digital do mundo a oferecer serviço de transporte. Haja vista ser uma questão popular, traz a repercussão e a dúvida entre os benefícios e as desvantagens dessa forma de trabalho.
Em primeira análise, de acordo com a cientista social Ludmila Costhek Abílio, o uso da tecnologia precariza as relações de trabalho através de uma ideia ilusória de liberdade. Somado a isso, empresas virtuais mostram uma nova forma de controle e organização do trabalho, ligadas ao desenvolvimento tecnológico e a desobrigação de proteções sociais trabalhistas. Por esses motivos, para muitos, tem trazido discussões quanto ao fato dos trabalhadores uberistas não serem contratados formalmente, assim, privados de direitos tais como um plano de saúde, 13º salário e previdência social.
Outrossim, no ano de 2020, devido à pandemia do vírus da COVID-19, o número de pessoas que buscaram na internet uma forma de emprego aumentou de maneira significativa. Diante desse cenário, entregadores de aplicativos se tornaram cada vez mais essenciais em época de isolamento. Vale ressaltar, entretanto, que essa situação expõe essas pessoas ao risco de infeção da doença, mas garantem uma renda e sustento para sua família, desde que assumam uma carga horária elevada. Recentemente, a revista Trabalho e Desenvolvimento Humano publicou que durante a pandemia, a proporção de entregadores de aplicativos que trabalham de 9 a 14 horas por dia aumentou de 54% para 56,7%; sendo a grande maioria trabalhando todos os dias.
Portanto, em vista dos fatos mencionados, medidas devem ser tomadas para a resolução dessa problemática. Logo, o Ministério da Economia, que, no Governo vigente, assumiu a pasta do Ministério do Trabalho, deve criar novas diretrizes para a modernização das relações do trabalho, a fim de promover proteção legal e melhores condições de trabalho para os trabalhadores informais. Além, da disponibilização de cursos digitais e gratuitos com conteúdo financeiro, sobre o próprio trabalho virtual e impactos sociais, para que esses trabalhadores, bem como toda a sociedade, tenham, no futuro, maior proteção e segurança trabalhista.