A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 02/05/2021
Hodiernamente, em meio à era da informação, é possível observar o surgimento de várias formas de ocupação baseadas nas novas tecnologias. Isso é revelado no documentário brasileiro “GIG”, que mostra vários relatos de trabalhadores imersos no processo de uberização do trabalho. Nitidamente, esse novo formato trabalhista gera uma certa precarização no mercado, com atividades sem regulamentação e assistência necessárias.
Em primeira análise, é importante destacar o preocupante cenário de desemprego, principalmente no Brasil. Nestas condições, os trabalhadores não pensam duas vezes ao aceitar alguns trabalhos que, mesmo oferecendo uma renda para se manterem, os prejudicarão tanto mentalmente, quanto fisicamente. O conceito da uberização é baseado, resumidamente, na utilização de aplicativos de celular nas relações de empregado-empregador, com o mínimo número de intermediários. Essa ideia acaba trazendo uma competição doentia entre os trabalhadores.
Segundo Adriano Gianturco, professor de ciências políticas do Ibmec, esse modelo irá se espalhar pela tendência macroeconômica do uso da tecnologia para o desenvolvimento de quaisquer serviços. Nesse sentido, sem legislações para sua defesa, os trabalhadores vão se tornando reféns dessa precarização do mercado, criando uma sociedade de bicos e empregos transitórios, onde a maioria dos jovens cresce sem perpectiva de uma carreira profissional.
Portanto, tendo em vista os impactos da uberização do trabalho na sociedade, é necessário que o governo, juntamente com o Ministério do Trabalho, desenvolva medidas em prol dos colaboradores ligados à esse modelo, como a regulamentação deste ofício através da criação de leis, a fiscalização dos aplicativos e de seus termos de serviços, a assinatura de uma carteira de trabalho para estas ocupações, entre outras. Isso tudo contribuirá para a extinção do trabalho informal, e para a criação de uma sociedade mais igualitária.