A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 29/04/2021

No filme “Você não estava aqui”, dirigido por Ken Loach, é retratado a tentativa de um motorista de entregas em sanar seus problemas financeiros através do trabalho independente, mas acaba por se inserir em um círculo vicioso dessa moderna forma de exploração trabalhista. Nesse sentido, a narrativa revela a frustração do trabalhador ao se deparar com a realidade do meio em que havia se estabelecido. Fora da ficção, é fato que a situação apresentada no filme pode ser relacionada àquela do século XXI: Os prós do trabalho on demand e seus contras.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a uberização desencadeou amplas oportunidades no mercado. Desse modo, uma das principais vertentes positivas no trabalho sob demanda é ser uma alternativa viável para o desemprego, isso por não possuir muitos requisitos para começar a atuar na empresa. Ademais, constitui de um sistema em que permite a flexibilização de horários, ou seja, podendo o trabalhador ter liberdade para administrar seu próprio rendimento, ou até mesmo usar desta ferramenta para complementar sua renda. Assim, é nocivo suas vantagens para a formação de um país com imperceptíveis índices de desemprego.

No entanto, essa moderna forma de trabalho ainda necessita se aprimorar em alguns aspectos. Em prova disso, é primordial citar a falsa sensação de liberdade por parte do funcionário, isso se deve ao fato de que a empresa se mantém no controle de tudo, até mesmo dos valores cobrados nas corridas.  O empregado não é permitido administrar nem mesmo o controle de qualidade dos serviços prestados, sendo fornecido pela empresa uma forma de avaliação extremamente subjetiva. Além disso, os trabalhadores são isentos de direitos trabalhistas e são os únicos responsáveis em arcar com riscos e custos externos. Logo, é inadmissível que nada seja feito a fim de sanar a situação.

A fim de solucionar esse impasse, é necessária a mobilização de determinados agentes implicados em amenizar o quadro atual. Para que essa nova ferramenta seja utilizada em prol de um futuro promissor, urge que o Ministério da Economia realize, por meio da alteração da CLT, uma nova abordagem legal a esse tipo de relação trabalhista. Essa nova abordagem deverá incluir também, a internalização de riscos externos. Somente assim, o Brasil se distanciará do caos retratado em “Você não estava aqui”.