A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 03/05/2021

Na obra “utopia”, de Thomas More, evidencia-se um tecido social impecável em todos os grupos sociais, o qual é caracterizado pela inexistência de problemas e guerras. No entanto, atualmente, a situação é diferente da retratada pelo escritor, haja vista que no trabalho, por exemplo, o avanço tecnológico mudou a conduta do comprador e desencadeou o fenômeno da “uberização”. Isso expõem uma realidade que se afasta da ficção, sendo causada pelo desemprego. Dessa forma, é necessário analisar o fator por detrás desse cenário, bem como medidas para atenuar essa questão.

Convém ressaltar que as alterações universais, feitas pela pandemia do novo coronavírus, agilizaram ainda mais o número de desempregados no país e contribuiu para o aumento de trabalhadores atuando na informalidade. Segundo os dados apurados pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), no trimestre até dezembro de 2020, o mercado de trabalho registrou uma taxa de informalidade de 39,5%. Isso acontece porque pessoas desempregadas procuram um caminho para faturamento diante as imprecisões de trabalho e a falta de seguros protecionistas por parte do Governo Federal. Desse modo, com o intuito de garantir o seu sustento, trabalhos provindos por aplicativos de entrega ou de transporte, por exemplo, o Uber Eats e o Uber, são uma alternativa para tais indivíduos. Entretanto, há também a precarização do trabalho nesse serviço, já que os salários são baixos e esses não têm direitos trabalhistas. Logo, é notório que essa relação de trabalho acarreta em implicações sociais.

Infere-se, portanto, a necessidade de o Ministério da Justiça (MJ) tomar uma atitude quanto a essa problemática da “uberização”. Para tanto, esse deve, por intermédio de leis e aplicações, determinar os direitos mínimos reservados aos trabalhadores por aplicativos de entregas e deslocamento, com a finalidade de resguardar sua dignidade como ser humano e garantir uma qualidade de vida melhor. Somente com medidas como essa, que tal dinâmica de negócio será agradavél a todos os envolvidos, tanto para as empresas quanto para os seus parceiros.