A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 03/05/2021

O termo uberização é de origem da palavra “Uber”, um aplicativo que oferece serviços criados para diminuir a distância entre a oferta e demanda. No Brasil esse tipo de trabalho tem crescido cada vez mais por causa da quantidade de pessoas sem emprego e indivíduos a procura de uma renda maior e liberdade para trabalhar quando sentir necessidade.

Apesar de as empresas fortificar que seus empregados tem a opção de trabalhar quando e quanto quiserem, essa autonomia acaba quando se tem um dever e objetivos para serem cumpridos na programação de serviços. Tudo depende de algoritmo. “Isso é uma enorme transferência de custos, de riscos e de responsabilidades. Você tem lá duzentas mil pessoas trabalhando informalmentem sem qualquer pré-definição sobre horário, e uma empresa controlando todo esse trabalho. Eles trabalham como querem, de fato, mas estão subordinados a uma série de regras que são onipresentes, sem garantia sobre remuneração, tempo de trabalho, custos e até acidentes”, explica Ludmila Costhek Abilio.

De acordo com o IBGE, o número de indivíduos que trabalha como motoristas de aplicativo, taxistas e motoristas e trocadores de ônibus, aumentou 29,2% em 2018, a maior alta desde 2012. Com a pandemia de Covid-19, o desemprego aumentou e muitas pessoas recorreram aos aplicativos como uma alternativa de sobrevivência. Segundo estatísticas da Análise Econômica Consultoria, o número de funcionários de aplicativos de entregas de refeições aumentou 158% no primeiro semestre de 2020. Para muitos especialistas, a uberização é sinônimo de precarização do trabalho. Por não serem contratados formalmente é normal que não há direitos ou garantias trabalhistas, como auxílio doença e férias remuneradas.

Portanto, são necessários medidas que atenuem a situação. O governo deve criar leis de proteção para os sujeitos nesse tipo de situação que definam o tempo no qual possa permanecer ativo no aplicativo, que depois de um certo número de serviços prestados o trabalhador consiga pelo menos um salário mínimo, além de determinar quem irá ser responsável caso haja algum acidente ou algo do tipo, o próprio governo ou o aplicativo por exemplo.