A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 02/05/2021
Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremo que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil e morreu frustrado ao ver que elas não aconteceram. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entrave, como a precarização do trabalho, se faz presente no corpo brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar a análise como a uberização tem crescido no Brasil e como a alta no número de desempregados é responsável.
Observa-se, em primeira instância, que o aumento da uberização pode ser um problema para a sociedade brasileira. Sob essa ótica, tal entrave se diverge da utopia do Brasil narrada por Barreto, na medida em que 3,8 milhões de brasileiros têm nos aplicativos a sua principal fonte de renda, de acordo com o site TecMundo. Ademais, muitos brasileiros usam aplicativos como complemento de renda, considerando a alta nos preços dos produtos nos mercados e a constância no valor do salário mínimo.
Outrossim, vale ressaltar que a alta de desemprego prejudicou a população. Nesse contexto, ganha voz a percepção do sociólogo Émile Durkheim, ao afirmar, na obra “Estudo do método sociológico”, que os instrumentos sociais obrigam os obrigam a se adaptarem às regras da sociedade. Esse pensamento, em sua essência, revela a má qualidade do governo em relação aos trabalhadores, como a sua não valorização, ocasionando o crescimento da taxa de desempregados, fazendo com que eles precisem encontrar outros meios de conseguir uma renda, como ser motorista ou entregador de entrega por aplicativo.
Portanto, tendo em vista os fatos supracitados, é notória a necessidade de que o governo, juntamente ao Ministério do Trabalho, por meio de projetos governamentais, faça melhorias nas leis trabalhistas, para que o trabalhador tenha seu devido reconhecimento e mostrar a sua importância na sociedade. Também se mostra necessário que o governo, por meio de projetos governamentais, promova cursos gratuitos de educação financeira, para que esses trabalhadores saibam como investir e cuidar do seu próprio dinheiro.