A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 02/05/2021

O mundo já passou por várias revoluções industriais. Hordiernamente, o planeta está na quarta revolução industrial e, com isso, vê-se um aumento considerável do uso das tecnologias digitais na economia brasileira. Essa -situação- foi denominada de “uberização” pelo fato de que a empresa Uber implantou um comércio com o conceito de negócio com menos intermediários. Diante disso, faz-se necessário um debate sobre a “uberização” do trabalho na era tecnológica e se está acontecendo uma precarização ou uma liberdade no trabalho.

Nessa prática, as relações de trabalho tornam-se informais pois os trabalhadores são parceiros e não empregados e, normalmente, as empresas se referem aos prestadores de serviços como empreendedores, porque são eles que definem o horário de trabalho e são os próprios patrões. Entretanto, esses trabalhadores não têm direitos como as férias remuneradas, o 13º salário e a previdência social. Além de tudo, eles que têm que assumir os custos e arcar os equipamentos necessários como carro, moto e bicicleta.

Com a pandemia da Covid-19, as condições de trabalho ficaram cada vez mais precárias. De acordo com um estudo publicado este ano na revista Trabalho e Desenvolvimento Humano, durante a pandemia, a proporção de distribuidores de aplicativos que trabalhavam de 9 a 14 horas por dia subiu de 54% para 56,7%. Para piorar, com um número cada vez maior de trabalhadores autônomos nesse setor, os ganhos por serviços diminuíram.

Em virtude dos fatos mencionados, faz-se necessário que o Ministério do Trabalho, junto com o Ministério da Justiça, crie e aprimore leis que garantem os direitos trabalhistas, como o salário mínimo e o direito a férias remuneradas, a fim de melhorar as condições de trabalho. Como disse Norbert Elias, “a sociedade é uma teia composta por indivíduos interdependentes”.