A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 30/04/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como principal característica o nacionalismo ufanista, acreditando um país utópico. Em contrapartida, fora dessa perspectiva o precário modo de trabalho da uberização torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Assim, seja pela instabilidade do trabalhador à falta das leis trabalhistas, pela negligência governamental, seja por se tornar a única alternativa devido a alta taxa do desemprego, a problemática persiste silenciosamente, afetando grande parte dos brasileiros.

Em primeira análise, é válido lembrar que o principal entrave da uberização do trabalho é a inexistência das leis trabalhistas à classe empreendedora. Dessa forma, com a falta de segurança com os direitos no emprego, o conflito aumenta, fazendo com que o retrato da sociedade seja marcado pela desigualdade e instabilidade. Por consequência, o descaso e a negligência do Estado com os trabalhadores informais ficam evidentes.

Em segundo plano, há também a alta taxa do desemprego, fazendo com que a única alternativa seja os serviços não formais, mesmo com a falta dos direitos trabalhistas e a grande carga horária. Dessa maneira, o problema permanece, tomando uma proporção maior a cada dia e necessita de uma reflexão.

Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para que a falta das leis trabalhistas e o desemprego não sejam mais os estigmas da precariedade da uberização. Logo, é papel do Ministério do Trabalho, juntamente com as empresas que fornecem os serviços, garantir melhores condições de trabalho como também a devida remuneração, e por meio da fiscalização, estabelecer multas aos estabelecimentos que mão cumprirem. Somente desse modo, o problema será uma mazela passada na história do Brasil e o país terá uma sociedade igualitária, dando mais um passo em busca da utopia idealizada por Policarpo.