A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 01/05/2021

O livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas do Brasil contemporâneo. Nesse viés, o fenômeno da “uberização” é uma problemática recorrente na atualidade. Sendo assim, seja pelo aumento do desemprego, ou então pela precariedade dos sistemas de trabalho, o problema vem silenciosamente atingindo a população e, assim, necessita de reflexão urgente.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que a escalada nos índices de desocupação promove o aumento na procura de rendas alternativas. Nesse sentido, a população desempregada procura formas informais de encontrar renda e, dessa maneira, aplicativos que promovem o encurtamento da distância entre o vendedor e o cliente são formas acessiveis de alcaçar esse objetivo. Isso pode ser comprovado com o aumento nas taxas de emprego informal recorrente na última década, ao passo que o desemprego também avançou. Logo, entende-se que a falta de ocupação é um fator contribuinte à situação, visto que, auxilia no aumento dos empregos informais.

Em segundo lugar, os aplicativos que fornecem essa terceirização do trabalho, não promovem os direitos e deveres presentes na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Nesse âmbito, os colaboradores desse tipo de serviço não têm segurança e nem perspectiva de establidade, o que os faz correr muitos riscos. Caso um motorista afiliado a um aplicativo não consiga trabalhar durante determinado período não receberá até que volte a ativa, comprometendo diretamente em seu orçamento. Emfim, compreende-se que o sistema ainda é muito primitivo, e torna aqueles subordinados à ele reféns ao seu próprio esforço.

Em suma, a problemática ainda existe e necessita de reflexão urgente. Deste modo, cabe às empresas responsáveis pelos aplicativos criarem medidas que assegurem uma maior segurança e estabilidade aos seus colaboradores, por meio da elaboração de metas que se batidas garantam um teto mínimo como salário, com o objetivo de assegurar aos trabalhadores um maior controle sobre sua própria jornada de trabalho - pois conseguirão ter um parâmetro para saber até onde podem ir sem prejudicarem seu orçamento final, ou então, não se esforçarem em vão -. Portanto, poder-se-a atenuar a situação próximo ao discutido por Dimenstein em sua obra “O Cidadão de Papel”.