A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 29/04/2021

O documentário “Gig, a uberização do trabalho”, trata diretamente sobre as questões envolvidas nas relações de prestação de serviço no meio digital. No Brasil, essa realidade se manifesta em um cenário no qual as pessoas são constantemente atraídas pela falsa promessa de liberdade de escolha sobre quando e onde trabalhar, entretanto, encontram na verdade a ausência de direitos trabalhistas e extensas cargas horárias.

Primeiramente, vale ressaltar que nesse tipo de relação o indíviduo deixa de possuir  seus direitos trabalhistas que até então eram garantidos por lei, como é o caso dos integrantes da Uber, a plataforma afirma não deter qualquer tipo de vínculo empregatício com os motoristas, e por isso não se vê responsável por quaisquer danos gerados a estes. Nesse sentido, através da falta de comprometimento por parte dessas companhias, torna-se evidente o tamanho descaso e desinteresse para a real situação do trabalhador, demonstrando assim, a precarização desse sistema.

Ademais, outro ponto a se destacar é a intensidade de trabalho e a baixa remuneração desse grupo, visto que trabalham por muitas horas para receber um valor quase que insignificante comparado ao seu imenso esforço cotidiano. Tal afirmação se comprova em um estudo feito pela Associação Aliança Bike, onde informa que mais de 30 mil ciclistas entregadores de aplicativos de comida, trabalham cerca de 12 horas diárias, durante todos os dias da semana, para embolsarem menos de mil reais por mês.  Assim, além dessas pessoas serem expostas a uma rotina cansativa e estressante, ainda são obrigadas a se conformarem com seus salários miseráveis.

Diante os fatos expostos, tona-se necessário a tomada de medidas cabíveis. Portanto, é dever do Poder Legislativo implementar um projeto, que através de leis imponha e garanta os direitos dos trabalhadores vinculados a plataformas de prestação de serviços no meio digital, além de assegurar sua execução nas empresas e aplicar punições em caso de violações. Desse modo, aqueles que pertencem a era uberizada, poderão enfim, trabalhar com dignidade.