A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 27/04/2021
É de conhecimento geral que a globalização trouxe modificações como a volatilização da produção e à economia do compartilhamento do trabalho. Tornou-se comum empresas transnacional, distribuirem sua produção em países onde os custos são mais baratos, como é o caso da mão-de-obra na China e da Índia. Um grande reflexo da automação é que ela era restrita ao chão de fábrica, atualmente a robotização já se encontra na área administrativa. Dentre tantos fatores relevantes, destacam-se: o crescimento do neoliberalismo no mundo e o uso e controle da força de trabalho por aplicativo de software.
É preciso frisar que uma doutrina neoliberal, desenvolvida a partir da década de 1970, defende a liberdade absoluta de mercado com um grau mínimo pelo estado. Concomitante a um aumento longevo da população, muitos países promoveram modificações como privatizações e a imposição de novas regras. Esta movimentação é realizada com o intuito de controlar e diminuir os gastos com aposentadoria do setor público e privado. A automação sempre avança em épocas de crise, e esta realidade não foi diferente com a atual pandemia, por meio da industrialização fracionada do trabalho.
Neste sentido, aumentado, também, o incentivo ao empreendedorismo. Para o sociólogo Ricardo Antunes, empreendedorismo é um mito que cresce pelo desemprego e pelo enfraquecimento das políticas sociais. E, esta é a realidade mundial que muitos países passam atualmente. Em uma sociedade em que há um grande desemprego estrutural, o subemprego e a precarização são imensos, há um chão social que permite que serviços como o Uber, Ifood, Contrato Zero Hora na Inglaterra e outros aplicativos ganhem força.
Dessarte, é mister rever alguns procedimentos e recriar condições para um caminho de mínima dignidade que a uberização suprimiu, revitalizando algumas garantias básicas, como: o 13º salário, férias, afastamento por motivo de saúde e licença maternidade. Assim, sob a coordenação do Congresso Nacional, com recursos do FGTS, recriar o Ministério do Trabalho, e restabelecer garantias mínimas para qualquer trabalhador contemporâneo terceirizado, ou possuidor de vínculo informal com a contratante.