A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 03/05/2021
O documentário “GIG – a Uberização do Trabalho” aborda o fenômeno crescente do trabalho mediado por aplicativos globais e plataformas digitais no mundo todo. A precarização do trabalho está presente em uma economia voltada ao empreendedor autônomo, onde a tecnologia permite que o mesmo trabalhe através dos algoritmos de uma empresa. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: o desemprego estrutural e a ausência dos direitos trabalhistas.
Em primeiro plano, pode-se destacar que a influência tecnológica leva a uma exclusão da mão de obra humana gerando um processo de desemprego estrutural. O alto índice de desemprego contribuiu para que o número de trabalhadores de aplicativos aumentassem exponencialmente. Em entrevista à agência Reuters, o vice-presidente do iFood, Diego Barreto, disse que houve 175 mil inscrições de candidatos interessados em atuar como entregadores da plataforma. Esse aumento exemplifica a força da uberização na sociedade.
Consequentemente, para compensar algum ganho mensal, é preciso trabalhar de forma informal, exaustiva e sem garantia de direitos trabalhistas mínimos. A maioria dos entregadores de aplicativos tem jornadas de trabalho esgotantes, sem finais de semana, se arriscam no trânsito e estão sempre suscetíveis a situações como acidentes. Nesse sentido, o excesso de liberdade dado aos trabalhadores por empresas que adotam a “uberização” pode ser prejudicial tanto ao empregado quanto aos empregadores.
Dado o exposto, é mister que o Ministério Cultural, juntamente ao Ministério da Justiça, diminua a debilitação da economia, por meio da criação e aprimoramento de leis, visando assegurar os direitos trabalhistas na fase tecnológica. Tais medidas visam combater o impasse de forma precisa e democrática.