A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 02/05/2021
De acordo com o desenvolvimento de novas tecnologias, ocorreram também mudanças no comportamento dos consumidores e, assim, surgiu um modelo de negócios sob demanda, denominado “uberização do trabalho”. Em “Você não estava aqui”, Ricky à procura de emprego tem como única alternativa o trabalho autônomo. O filme retrata as condições precárias do serviço e de um sistema no qual há uma falsa liberdade, que é um contexto contemporâneo vivido por inúmeros brasileiros.
Primeiramente, os prestadores de serviços, como motoristas, babás e entregadores de aplicativos são remunerados de acordo com a demanda e não possuem um salário estabelecido, devido não serem trabalhadores formais. Ademais, não têm direitos trabalhistas, como férias remuneradas e previdência social. Por consequência, houve o surgimento de um movimento contra a precarização das condições trabalhistas nesse novo setor, a manifestação foi denominada “Bleque dos Apps” e ocorreu em diversas capitais do Brasil no dia 25 de julho de 2020.
Ademais, esta prestação de serviço tem atraído milhares de desempregados, pelo fato de existir uma liberdade, flexibilidade e possibilitar uma renda com maior rapidez e com a ausência de várias medidas burocráticas. Porém, a sensação de liberdade é ilusória e, sob a óptica do filósofo Karl Marx, o trabalho se torna uma alienação, uma forma de opressão e exploração, uma vez que o indivíduo trabalhará de forma desproporcional ao que recebe e aos direitos existentes.
Logo, é necessário que o Ministério do Trabalho realize mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para regulamentar as relações trabalhistas dos trabalhadores de aplicativos, a fim de que tenham condições dignas e igualitárias. Além disso, as empresas de “apps” devem estabelecer contato com os funcionários, por meio de capacitações e reuniões periódicas, com intuito de haver uma humanização do trabalho prestado.