A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 03/05/2021

A Constituição Federal de 1988 garante a todos os cidadãos uma condição de caráter igualitário, a qual os rege com direitos básicos para a construção do bem-estar vital. Entretanto, com a revolução tecnológica , torna-se nitído o caminho estreito entre a teoria constitucional e a realidade social atual pois, grande parte da população não possui acesso algum a meios digitais, tornando-se explícita a disnivelação econômica social. Visa-se que a negligência estatal e o capitalismo fizeram com que a “uberização” do trabalho fosse mais uma “pedra no caminho” dos trabalhadores do brasil, fazendo com que essa realidade tecnológica somasse na precariedade para a sobrevivência dos mesmos.

primeiramente, torna-se importante ressaltar ,de forma lícita, a grande parcela de responsabilidade  que  a negligência estatal possui  quanto à questão da precarização e uberização da atividade laboral atual. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir uma harmonia social, no entanto, isso não ocorre no Brasil, pois a ausência de medidas que visam promover melhores condições de trabalho para os indivíduos que fornecem com as flexibilizações trabalhistas, como aquela que depende financeiramente dos aplicativos de entrega de alimentos, rompe essa harmonia. Com isso, essa parcela social acaba se sujeitando a condições precárias de trabalho, que são caracterizadas por inseguranças jurídicas e físicas.

Congruentemente a isso, é de extrema relevância ressaltar que, o capitalismo está diretamente ligado à problemática da marginalização e degeneração do exercício trabalhista atual. Segundo o IBGE, o número de cidadãos relacionados aos serviços informais aumentou de forma significativa nos últimos anos. Logo, é possível afirmar que, o capitalismo está diretamente relacionado ao impasse em questão, já que, de acordo com os postulados geógrafo brasileiro Milton Santos, uma das principais características desse sistema socioeconômico é a prioridade do lucro em relação ao bem-estar dos indivíduos.

Diante do exposto torna-se nítida a problemática da uberização do trabalho, fazendo-se necessário a discussão sobre o tema. Desse modo, cabe ao Governo Federal, em junção com o Ministério da Cidadania, promover campanhas, por meio de análises sociais, com o objetivo de informar e conscientizar a população sobre os seus direitos que são garantidos por lei, além de tornar explícito as problemáticas que a  precarização do trabalho vem trazendo para uma estrutura social como um todo. Com isso, a busca pelo nivelamento social será menos árdua originando uma sociedade baseada em igualdade e cumprimento das leis, ademais, as pedras no caminho dos trabalhadores irão se extinguir e a constituição de 1988 não será somente uma teoria.