A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 03/05/2021
Na pintura “Operários”, da artista brasileira Tarsila do Amaral, a industrialização é representada como uma realidade de trabalho que estava tornando-se muito comum na época. Fora do contexto artístico, tal obra mostra-se como uma representação das constantes mudanças que ocorrem no âmbito laboral no Brasil. Dessa forma, faz-se necessário discutir a questão da uberização do trabalho na era tecnológica, sendo essa problemática agravada pela exclusão dos profissionais pouco capacitados do mercado de trabalho e pela crise política e econômica que assola o país. Tal fato reflete uma realidade extremamente complexa no que diz respeito aos seus efeitos sobre a população nacional.
À priori, de acordo com o filósofo alemão Karl Marx, o trabalho, no sistema capitalista, é alienante e contempla somente aqueles que podem oferecer sua mão de obra qualificada. Hodiernamente, tal conceito apresenta-se como uma crítica à realidade trabalhista brasileira, na qual os trabalhadores pouco capacitados são substituídos por outras forças de atuação. Sendo assim, esses grupos, que muitas vezes não possuem acesso à educação formal, se veem coagidos a trabalhar de modo informal, em atividades não regulamentadas, o que os submete a condições precárias de laboração, como jornadas exaustivas e remunerações insuficientes, por exemplo.
Outrossim, de acordo com o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, a interpretação da realidade coletiva ocorre somente por meio do entendimento das forças que estruturaram o corpo social. Sendo assim, para entender a uberização do trabalho no Brasil, é imprescindível analisar o desenvolvimento histórico do país. Sob esse viés, a crise política e econômica, que se desenvolveu no território nacional a partir de 2014, trouxe significativas mudanças estruturais para o mercado ocupacional brasileiro. Assim, as empresas diminuíram o número de contratações, o que reduziu, por conseguinte, a oferta de empregos. Tal fato levou ao crescimento da informalidade e da busca por opções de trabalho flexibilizadas, o que contribuiu para a intensificação do fenômeno laboral supracitado.
Diante do exposto, para resolver a questão da uberização do trabalho na era tecnológica, medidas devem ser tomadas. Para isso, cabe ao governo federal, instância máxima da administração executiva, criar, por meio da utilização de verbas públicas, o Plano Nacional de Aprendizagem Laboral, o qual consistirá no maior investimento em cursos profissionalizantes voltados aos trabalhadores de baixa renda. Posto isso, tais medidas teriam por finalidade capacitar a mão de obra brasileira e realocá-la no mercado ocupacional, o que reduziria, consequentemente, o número de labutadores atuando de forma autônoma e precária. Somente assim será possível construir um futuro melhor e a realidade tupiniquim tornar-se-á harmoniosa e desenvolvida, tal como na pintura de Tarsila.