A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 14/05/2021

Durante a Revolução Industrial, em meados do século XVIII, o trabalho nas indústrias possuía condições desumanas, como longas jornadas e ambientes insalubres. De maneira análoga, os novos serviços inseridos no meio digital- processo definido como “uberização” do trabalho-  possui também uma realidade precária, que é confundida com a falsa sensação de liberdade, fatores derivados da incorporação da tecnologia no dia a dia e da busca por alternativas de emprego. Assim, deve-se discutir os aspectos políticos e sociais vinculados ao tema.

Dito isso, é válido afirmar que os avanços tecnológicos modificam as relações de trabalho. Na série de TV britânica, “Black Mirror”, no episódio “Nosedive”, as personagens vivem em um sistema de classificação por notas, no qual os números determinam as vidas das pessoas. Dessa mesma forma, nos aplicativos de transporte, como o Uber, os motoristas que trabalham para a empresa são vistos apenas como números dentro do sistema que diz ao trabalhador todas as metas que ele deve cumprir. Esse tipo de trabalho, muitas vezes, é definido por possuir certa autonomia, no entanto, a sensação de liberdade é falsa, visto que o controle do serviço é configurado por meio dos algoritimos, o que revela, também, a desumanização desses trabalhadores, que, em alguns casos, são condicionados a longas jornadas e a baixa assistência- fatores que poderiam diminuir a incidência de acidentes de entregadores durante o horário de trabalho, por exemplo.

Ademais, deve-se dizer que os trabalhos que surgiram no meio digital foram vistos como alternativas devido ao desemprego crescente. O capitalismo, sistema econômico que muitos países estão inseridos, baseia-se na busca pelo lucro e pela exploração do patrão sobre o empregado. Essa realidade faz parte da conjuntura atual, na qual as empresas, derivadas do processo de “uberização” do trabalho, visam o lucro por meio do serviço de muitas pessoas que possuem o trabalho de entregador, por exemplo, como a única alternativa de conseguir uma renda. Desse modo, a precariedade a qual essas pessoas estão submetidas atinge majoritariamente a população periférica, que enxerga esse tipo de serviço uma oportunidade que foi negada em outro setores do mercado de trabalho.

Portanto, é imprescindível a discussão sobre o efeito do desenvolvimento tecnológico nas relações de trabalho e o surgimento de oportunidades de emprego com esse processo. Para isso, é necessário que a Mídia- veículos mais conhecidos, como a Rede Globo- aborde a importância desses serviços, por meio de comerciais que mostrem a urgência de modificar a situação de precariedade, a qual os trabalhadores estão inseridos, a fim de que deixe de ser um trabalho romantizado- com a falsa sensação de liberdade.

Assim, os problemas da “uberização” do trabalho serão solucionados.