A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 04/05/2021
No vídeo “A luta dos trabalhadores” do canal “Chavoso da USP”, Thiago Torres conversa com “Galo” do grupo Entregadores Antifascistas, é abordado a questão da capitalização e exploração feita todos os dias sobre o proletariado. Não há dúvidas de que a falsa mentalidade de empreendedorismo atual faz com que muitos empregados sintam que está tudo bem passar pela precarização do trabalho, por que eles são considerados “livres” e “autônomos” com seus empregos. Dessa forma, fica claro que isso ocorre pela relação do capital acima do indivíduo que gera instabilidade e problemas como baixa qualidade vida, perda de direitos e desigualdade social.
A priori, o uso de aplicativos como Uber, Uber Eats, Ifood, Rappi ajuda cerca de 4 milhões de empregadores e são recursos de fonte de renda para se sustentar. Essas empresas não possuem contratos diretamente com essas pessoas, e não se responsabilizam por qualquer acontecimento com o funcionário durante o trajeto do produto. A medida que o trabalhador tem a ideia deturpada de que trabalha por si só e que isso configura uma vantagem quando na verdade, ele está submetido ao subemprego onde não tem qualquer direito trabalhista.
Ademais, convém lembrar, quando em 2019 viralizou uma foto de um motoboy numa correnteza em São Paulo, indo terminar sua entrega. O prejuízo referente à saúde do entregador e a perda da moto é totalmente descontada na conta do entregador. Ou seja, além de ter uma remuneração financeira muito baixa, sendo baseada nos critérios de algoritmos dos aplicativos, o proletariado ainda passa por condições péssimas de serviço. De acordo com Sabrina Fernandes, socióloga e militante marxista, se tradicionalmente o detentor do capital entrava com meios de produção e o trabalhador com a força de trabalho, a uberização nas relações de trabalho muda essa lógica.
Portanto, fica evidente que a instabilidade de emprego vire uma tendência, a desigualdade social se amplie cada vez mais, sendo incontestável que a mentalidade empreendedora é uma alavanca para a capitalização das relações humanas aumentando cada dia mais a sua precarização.