A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 12/05/2021
Ao afirmar, em sua celebre canção, “o tempo não para”, o poeta Cazuza faz, de certo modo, uma comparação entre o futuro e o passado. De fato, ele estava certo, visto que, as formas de trabalho mudaram e com isso surgiram imensos desafios gerando problemas atuais. Durante a pandemia do coronavírus essa problemática se fez cada vez mais recorrente, com a intensificação da demanda de tarefas em transporte particular e entregas à domicílio. Com isso, mesmo possibilitando a praticidade para os clientes, vem á tona também, as condições e direitos trabalhistas precários dos empregados pela falta de oficialização da admissão de muitos ou por conta do trabalho autônomo, que apesar de gerar liberdade, consiste em alta responsabilidade.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a visão dos empregadores que não veem necessidade de admitir ou oficilizar o trabalho dos empregados. Isso, não garante aos mesmos nenhum beneficio ou adicional por conta da atividade, a princípio, periculosa ,já que, os motoboys, entregadores e motoristas de aplicativos, por exemplo, estão sujeitos a acidentes de transito e assaltos. A desvantagem disso, é que não proporciona uma segurança para o profissional em relação à pagamentos governamentais, como o INSS ou plano de saúde. Ademais, com o avanço das tecnologias, é evidente o crescimento desta modalidade mesmo que considerada trabalho informal.
Bem como, segundo Mark Twain, em seu livro The Adventures of Tom Sawyer, " teria compreendido então que trabalho consiste em tudo o que se é obrigado a fazer e prazer consiste naquilo que não se é obrigado a fazer". Sob este viés, é possível concluir, que alguns trabalhadores informais nessa nova era, preferem a liberdade de fazer o que eles gostam na hora que quiserem. Dessa forma, possuem mais disponibilidade de horário para outros compromissos e tarefas. Porém, também não possuem benefícios trabalhistas e se colocados na balança podem ter muito mais desvantagens do aparentam.
Portanto, para que não aumente os índices dessa problemática recorrente, é preciso uma ação urgente das autoridades competentes. Logo, o Ministério do Trabalho deve reforçar leis relacionadas à formalidade do trabalho diante do Estado e isso deve ocorrer através de campanhas televisivas para que todos tomem conhecimento de sua importância. A fim de que, todos os trabalhadores venham a ser oficializados por suas respectivas empresas e os autônomos possam perceber portas se abrindo a partir disso, para então benefícios e salários adicionais de acordo com a atividade exercida. Assim, será notório um crescimento no ramo e o reconhecimento de novas formas de empregabilidade, podendo, até mesmo, abrir portas para os interessados e que estão desempregados. Logo, busca-se a erradicação de problemas relacionados à temática gradativamente.