A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 15/05/2021

Ifood, Uber, faxineiras, todos os serviços a apenas um click ao celular. Sob essa ótica, a tecnológia facilitou o acesso a todos os tipos de serviços ao consumidor de forma rápida e barata, pois diminuiu a burocracia e os custos com impostos, fenômeno titulado de “uberização”. Entretanto, essa nova estrutura capitalista também acarretou problemas para a sociedade como: a precarização  do trabalho no Brasil, e também o aumento da falta  de perspectiva  dos jovens em construirem um plano de carreira induzindo a ficarem segregados à subempregos.

Primeiramente, o livro Servidão voluntária, do sociológo Ricardo Antunes, afirma que o trabalhador na sociedade é deve ser grato pelo emprego que possui, independente das baixas condições oferecidas. Desse modo, de forma ánaloga pode-se comparar a afirmação do autor com a falta de direitos refletida nos trabalhadores temporários e tercerizados- uber, entregadores de comida, que apesar de estarem desprotegidos devido a falta de uma regularização trabalhista, a sociedade ironicamente atribui que devem serem gratos, além disso são avaliados constantemente por “patrões diferentes”. Além disso, dados do IBGE relata que no ano de 2021 para se obter a mesma renda de 2020 as horas trabalhadas por esses profissionais deveriam ser maiores, ou seja, o conceito abordado por essa nova área de trabalho, que diz:“ganhos altos, liberdade de trabalhar para si”, não se reflete na realidade, pois o trabalho é muito, muitas vezes físico e pouco remunerado, quase retrocedendo a época dos escravos.

Ademais, segundo o sociológo Ricardo Antunes," O trabalho que estrutura o capital, desestrutura a humanidade", ou seja, a uberização diminui os planos de carreiras dos jovens, se antes o jovem poderia começar em uma empresa estagiar e subir de cargos, hoje esta pesperctiva de crescimento profissional estagnou, devido ao fato que a falta de garantias trabalhistas segrega os jovens a um ciclo vicioso de oportunidades em subempregos.

Portanto, vale ressaltar que a população se beneficia com a uberização, no entantoprecisa  de uma regulamentação em defesa dos trabalhadores. Posto isso, o Ministério do Trabalho deve promover uma regulamentação trabalhista para estes profissionais, com direitos referentes as horas trabalhadas, seguro previdenciário, afim de não deixar esses profissionais desamparados. Outrossim, o Ministério da Educação deve informar os jovens sobre o mercado de trabalho, com palestras em escolas, feira de profissões com o intuito de estimular os jovens a buscarem um plano de carreira para que possam no futuro quebrar o ciclo vicioso de subempregos e desigualdade social.