A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 22/05/2021
A falsa autonomia da uberização.
No século XXI, uma forma que se popularizou pela utilização da frase de impacto “seja o seu próprio chefe, faça o seu horário” é o trabalho autônomo regido por algorítmos. Neste contexto, cabe avaliar se de fato tal afirmação é verdadeira ou trata-se apenas de uma divulgação visando dar a falsa sensação ao trabalhador de liberdade e inúmeros benefícios.
Uma das questões mais pertinentes a se avaliar sobre os trabalhadores anônimos que utilizam-se de aplicativos como ifood, uber etc. é a exposição do trabalho e, concomitante a isso, tem-se também o não cumprimento às leis trabalhistas. Um “motoboy” que sofre um acidente enquanto executa o serviço não tem direito ao auxílio saúde-doença acidentário e ainda deixa de receber o seu salário no dia que não trabalhou. Neste contexto, observa-se uma precarização do trabalho em prol de uma falsa sensação de “fazer o seu próprio horário” que trata-se apenas de um método para ludibriar o trabalhador.
Outro aspecto que deve ser averiguado é como tal forma de trabalho se popularizou mesmo com todos os contras explanados anteriormente. Pode-se citar três pontos que corroboram para tal propagação: a alienação feita pelo marketing, como supracitado, a exploração de um momento frágil onde o funcionário não ver outra alternativa além de se submeter a tais condições e também o lucro envolvido em tal método. Dado tais fatores, “a uberização” se populariza cada vez mais na contemporaneidade e, por consequência, há o crescimento também de plataformas como ifood, uber etc.
Neste ínterim, torna-se evidente que a ideia de liberdade associada a “uberização” trata-se apenas de uma farsa para atrair mais funcionários e submete-los a condições inadequadas. Deste modo, urge a necessidade de uma revisão das leis pelo Ministério do Trabalho para ampliar os direitos trabalhistas a esta parcela da população.