A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 18/05/2021
Heráclito de Éfeso, o pai da dialética, afirmava que " nada é permanente, exceto a mudança", fazendo alusão às constantes transformações da realidade.Felizmente, tal fala pode ser aplicada ao contexto brasileiro, de modo que as problemáticas podem ser solucionadas.Nesse sentido, um revés que segue esse padrão é a crescente “uberização” do trabalho na era tecnológica que, lastimavelmente, demonstra a terrível precarização.Tal problema advém da insuficiência educacional e da negligência do Estado, fatores que fazem urgir uma atenuação desse quadro.
Em primeiro plano, é válido salientar que a precária educação corrobora a fragilização dos vínculos empregatícios.Apesar de ser assegurado, por meio da Constituição Federal,o investimento de 25% do orçamento estatal no ensino público, na prática, tal capital não chega às escolas-que ficam a ponto de fechar como a UFRJ em 2021,segundo a reitoria-tornando-se incapazes de capacitar os professores e oferecer cursos técnicos.Nessa perspectiva,a qualificação fica comprometida e os empregos formais que,geralmente,exigem maior profissionalização,são descartados.Por conseguinte,a massa migra para os aplicativos e passa a vender sua mão de obra sem ter assegurado os benefícios da “CLT”.Sob esse viés,é nítido que a educação falha reafirma a desvalorização do trabalho na época da internet.
Em segundo plano, também é notável que a omissão estatal contribui com o panorama supracitado.Isso porque, desde a imposição dos preceitos da reunião defensora do modelo neoliberal para a América,o Consenso de Washington, ficou destinado aos Governos a responsabilidade de prover meios de instalação de indústrias.Infelizmente, o Estado brasileiro se faz ausente na promoção dessa infraestrutura, não destinando capital para os meios de transporte, saneamento básico e qualificação braçal.Nesse sentido,não há atrativos para se produzir no país, o que acarreta menor número de empresas,de oferta de emprego e deslocamento do corpo social para o setor terciário-especialmente para “apps”,por exemplo,“99” e “ifood”-, que não possui direitos como férias e décimo terceiro.Em suma, a inércia do Governo perpetua o modelo fragilidado de trabalho atual.
Destarte, é mister modificar essa mazela social.Assim, o Ministério da Economia, em parceria com o Legislativo, deve implementar o projeto “Emprego Já”, por meio de emendas constitucionais.Em síntese, seria destinado verbas vultuosas tanto para o setor educacional como para o logístico,assim como seria enviado ao Congresso uma proposta de ampliação das Leis do Trabalho.Tais medidas objetivariam mitigar a defasagem de ensino e promover o aumento dos requisitos ao estabelecimento de fábricas,ampliando a qualificação e a oferta de empregos seguros.Assim,a “uberização"do trabalho na era tecnológica não estaria intimamente ligada a precarização,segundo os preceitos de Heráclito.