A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 29/09/2021
O filme “GIG- A uberização do trabalho” retrata sobre as motivações e as realidades do empregado autônomo. Diante disso, observa-se no cenário brasileiro o crescimento de um novo modelo de trabalho. Entretanto, apesar da movimentação na economia do país, há impasses para a legitimação dos direitos trabalhistas no setor e uma grave crise de desemprego que leva à busca alternativa de renda. Desse modo, faz-se necessário analisar os pretextos que corroboram a problemática.
Nesse viés, cabe retomar que a geração de novos empregos elevam o fluxo econômico e a oportunidade de crescimento social. Conforme abortado no filme, muitos indivíduos viram na uberização uma chance de flexibilidade e autonomia na administração da própria vida. Isto ocorre0, pois, os aplicativos de serviços dispõem ao prestador a escolha da carga horária e avaliação da remuneração recebida, o que facilita um controle do salário e do tempo pessoal disponível. Em decorrência disso, a geração de emprego ajuda a inibir uma crise social e econômica no país .
Entre os prós desse sistema de mercado, vale lembrar que a precarização do trabalhado e o desemprego como motivador à aceitação de termos desumanos são um problema a ser vencido. Segundo a Constituição de 1988, artigo 6, o trabalho digno é um direito social que deve ser garantido pelo Estado. Diante disso, quando o Estado não busca medidas para minimizar os índices de desempregados e, ainda, corrobora com um serviço análogo a escravidão - sem direito a férias, planos de saúde ou um piso salarial -, ao não exigir uma regulamentação legal, esse está falhando com seus cidadãos. Assim, confirmando o pensamento do jornalista Gilberto Dimenstein de que vivemos uma cidadania de papel, na qual há garantia de direitos redigidos, porém não praticados.
Portando, cabe ao governo federal, por meio do Ministério da Economia, financiar o desenvolvimento de programas sociais para capacitação do trabalhador -gerenciando cursos de administração, economia e empreendedorismo - afim de mitigar o desemprego com servidores profissionais e capacitados em diversas áreas, o que abrange o número de oportunidades trabalhistas privadas ou autônomas. Ademais, é dever do Legislativo a criação de uma lei que exija dessas novas empresas um documento que assegure os direitos dos trabalhados , incluindo férias remuneradas, auxilio em acidentes de trabalho e um plano alimentar, com intuito de garantir o direito civil previsto pela Constituição e melhorar a qualidade de vida de toda sociedade.