A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 11/06/2021

Após o advento da Terceira Revolução Industrial, no qual o ponto central foi o uso da tecnologia, inúmeras formas de trabalho começaram a modificar-se devido à necessidade de se atualizar para o contexto da época. Analogamente, podemos ressaltar as transformações ocorridas nos aplicativos de entregas, em que são propostas jornadas irreais de quilometragem por um salário abaixo do esperado. Nesse viés, faz-se necessário analisar a exploração do homem pelo homem e a gamificação do trabalho.

Primeiramente, é clara a segregação sofrida pelos que se submetem a trabalhar pelos aplicativos online. Segundo o documentário “Gig: uberização do trabalho”, inúmeros jovens entre 17 e 19 anos alimentam suas famílias através de incansáveis horas pedalando. Isso se dá, justamente, pela falta de oportunidades em escritórios que garantem os direitos básicos e, até mesmo, pela falta de continuidade na profissionalização estudantil. Assim, enquanto alternativas, que deveriam possibilitar uma “renda extra”, forem o primeiro plano, a desigualdade irá se manter presente.

Ademais, é notório perceber as estratégias de bonificação neste tipo de serviço. Contar com avaliações boas, mais entregas efetuadas, quilometragem rodada, gera saldos mínimos ao final do mês, entretanto, motiva os trabalhadores a estarem em constantes superações de metas. Segundo Thomas Hobbes, o homem é o lobo do homem. Nesse viés, para ter um resultado positivo no final do mês é necessário ter boas pontuações, o que acaba gerando competições entre os indivíduos.

Entende-se, portanto, que é necessário erradicar as formas de “uberização” informal. No entanto, para que a precarização do trabalho deixe de causar impactos na vida dos trabalhadores, cabe ao Poder Legislativo realizar um projeto de lei que regulamente os serviços prestados nas plataformas digitais, por meio de regras a serem seguidas pelas empresas e, caso haja necessidade, aplicação de multas em caso de violação dessas. Além disso, torna-se viável o Ministério da Educação criar um programa de inclusão aos jovens no mercado de trabalho logo após a finalização do ensino médio, a fim de diminuir os riscos e a segregação sofrida pelos mesmos.