A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 15/07/2021

Precário, inseguro e explorador. Assim se define o processo conhecido como “uberização do trabalho”, caracterizado por promessas de liberdade e autonomia ao trabalhador ao colocá-lo em serviço sem que haja uma contratação, ou seja, ser um empregado indireto. Contudo, como retratado no documentário “Cidade de quem corre”, esse advento do capitalismo moderno na verdade explora e manipula os trabalhadores, além de não garantir seus direitos básicos. Nesse sentido, percebe-se que a prática é precária e abusiva, configurando-se como um grave problema na contemporaneidade.

Partindo desse pressuposto, percebe-se que as empresas ao tentar minimizar seus gastos e maximizar os lucros, deram início a um processo no qual o trabalhador é reduzido à condição de objeto, ao passo que as mercadorias são fetichizadas e elevadas ao patamar humano. Esse processo é descrito por Karl Marx em sua obra “O capital”, na qual o economista argumenta que o homem e sua força de trabalho são os principais produtos do capitalismo. A partir disso, percebe-se que a uberização do trabalho corrobora com a tese de Marx ao explorar a classe trabalhadora e não valorizá-la, priorizando apenas o lucro.

Ademais, é importante salientar a relativização desse regime de exploração pela sociedade. Alguns economistas o descreve como uma “nova tendência econômica” que garante a autonomia do trabalhador. No entanto, o advento limita a liberdade dos empregados, não lhes garantindo o controle de variáveis como prazo de prestação do serviço, valor a ser cobrado e a seleção dos clientes. Assim, a classe dominante influencia as pessoas a acreditarem que as condições de trabalho são boas, naturalizando o abuso e, como bem já dizia o escritor Frei Betto, é uma aberração um sistema teoricamente democrático naturalizar a exploração dos trabalhadores e colocar a acumulação de capital acima dos direitos humanos.

Evidencia-se, portanto, que a exploração dos trabalhadores e sua relativização, configuram-se como problemas a serem solucionados. A partir disso, visando reduzir a precarização dos serviços, é fundamental que o Congresso Nacional– em seu papel de Poder Legislativo– crie e aprove projetos de leis que regularizem as atividades das empresas que adotam esse modelo empregatício, visando garantir os direitos trabalhistas aos empregados. Além disso, a sociedade precisa se conscientizar sobre, de forma que reconheça as condições austeras as quais são submetidos os prestadores de serviços e pressione as multinacionais a mudarem suas práticas abusivas e aumentar a parcela de lucro desses, fazendo com que haja melhores condições de trabalho e uma maior valorização dos servidores.