A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 23/07/2021

A CLT, Condição das Leis de Trabalho, sancionada em 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas, visava regulamentar as leis de trabalho e proteger os trabalhadores. Entretanto, pelo fato de os intermediários entre o produtor e o consumidor não possuírem vínculo empregatício, ou seja, realizarem trabalho informal, os direitos concedidos na lei trabalhista não são aplicados a eles. Logo, a “uberização” do trabalho propagandeia uma falsa ideia de liberdade que na verdade é uma precarização.

Antes de tudo, cabe enfatizar que o advento da Era tecnológica favoreceu o consumidor, mas tem desfavorecido o trabalhador, pois gerou-se uma nova forma de explorá-lo: cargas horárias extremamente longas com baixa remuneração, sem direitos conferidos por lei, marginalização. Essas condições são semelhantes ao trabalhador da Segunda Revolução Industrial, momento em que se objetivava produzir muito durante extensas jornadas. Assim, os dois extremos do mercado são beneficiados, diferentemente de quem os conecta, incitando, consequentemente, maiores disparidades tanto econômicas quanto na lei.

Ainda, é de salientar que existe uma “gameficação” dos e entre os trabalhadores dessas empresas que visam completar o maior número de pedidos e, assim, obter um pequeno valor a mais. De modo análogo a realidade, o filme “Nerve” envolve uma temática similar em que alguns usuários realizam ações pré-definidas cobiçando dinheiro em uma corrida contra outros participantes e o tempo. Evidentemente, essa despersonificação dos laborais por conta da “gameficação” gera riscos para o trabalhador,  acidentes de tráfego, por exemplo. A vítima, por não ter como pagar um convênio médico, provavelmente irá para o Sistema Público de Saúde (SUS), e desse modo, os gastos sempre recairão sobre o Estado.

Portanto, para que o avanço tecnológico não faça com que a população brasileira retroceda em questões como as de trabalho, é necessário que o Congresso Nacional proponha reformas trabalhistas que visem a criação de novos empregos e a ampliação das CLT para as novas áreas do mercado, para isso exigindo que as empresas estabeleçam vínculos empregatícios com os “uberistas”. Além disso, governadores junto de prefeitos devem aumentar a fiscalização das vias urbanas para evitar acidentes de tráfego. E´desse modo que a precaridade do trabalho “uberizado” diminuirá.